Eles dividem a cama, a mesa e o escritório. Além de parceiros na vida pessoal, cada vez mais casais se tornam cúmplices no ambiente profissional, como sócios. O sucesso, em muitos casos, vem mais rápido, já que a confiança e a dedicação tendem a ser maiores. Mas o volume de trabalho também chega em dobro. Afinal, depois de passar grande parte do dia na empresa , eles têm que estender a jornada à vida a dois. A saída é o diálogo. Dedicar um tempo exclusivamente à relação também é fundamental.


Casados há 20 anos, Paula e Halim Lebbos são sócios da Backer, premiada cervejaria sediada no bairro Olhos D’água, há 18 anos. Com 80 funcionários sob o comando dos especialistas na bebida, eles se desdobram para gerenciar a vida pessoal e a profissional. E, muitas vezes, as duas se misturam.


“A nossa vida gira em torno da cerveja. Mesmo quando não estamos na Backer, em um jantar fora ou na vida noturna, por exemplo, estamos conversando sobre novidades do setor, tendências, produtos. Pesquisando mesmo. É a nossa paixão”, afirma Paula.


Aos domingos, quando é realizado o almoço da família, no entanto, o tom da conversa muda. “Nós combinamos que não falaríamos sobre trabalho nesse dia. E deu certo”, comemora.


Para que os problemas da vida profissional não atrapalhem a relação, ela garante que é necessário muita conversa. “Somos muito amigos, cúmplices. Sempre ouvimos o ponto de vista do outro e tentamos chegar a um consenso”, diz a empresária.


Segunda viagem


Juntos há 14 anos e casados há dois, Paulo Silva e Adriana Santos estão à frente da World Study, agência de intercâmbios, há sete anos. O negócio deu tão certo que eles acabam de inaugurar uma outra empresa, a World Trip, especialista em turismo.


De acordo com Silva, ter a mulher como parceira nos negócios é crucial para o sucesso das empresas. “Tenho muita confiança nela, o que facilita muito o trabalho”, diz. Outra dica do empresário é com relação às finanças. “Separamos muito bem o dinheiro da empresa e o nosso. Temos salários e não utilizamos o capital da empresa em casa de forma alguma”, ressalta.


Os noivos Fernanda Rodrigues Pereira e Thiago Zanforlin Freitas partiram para a vida a dois nos negócios em junho do ano passado. Juntos, eles comandam o Hotel Fazenda Chácara, em Santana dos Montes, a 130 quilômetros de Belo Horizonte.


A expectativa de Fernanda é que o empreendimento, que recebeu R$ 6 milhões em investimentos, fature 50% a mais em 2015. Para isso, ela e o noivo desenvolvem todas estratégias juntos. “No início era mais difícil aceitar a opinião do outro, mas hoje estamos mais maduros. ”, comenta a empresária.

 

Parceiros no amor, casais ‘lucram’ nos negócios
Paulo Silva e Adriana Santos, da World Study e World Trip: confiança facilita a tomada de decisões (Foto: Divulgação)


Separação entre família e empresa exige profissionalismo


Eles formam uma dupla que aposta no sucesso profissional e pessoal. Casados há dois anos, Maria Gabriela e Leonardo passam a maior parte do dia juntos. E da noite também. Afinal, eles são cantores e se preparam para deslanchar no mais competitivo mercado musical do país: o sertanejo.


De acordo com Leonardo, o investimento da dupla em gravação de clipe com produtor renomado, aluguel de estúdio e contratações de profissionais dobrou em 2015, na comparação com 2014. E o ritmo de trabalho também. “Trabalhamos o tempo inteiro, 24 horas. Se não estamos juntos, estamos conversando por redes sociais, pensando em novidades”, afirma. A equipe de trabalho da dupla conta com 20 pessoas.


O bom entrosamento do casal permite que as cobranças sejam maiores. “Temos mais liberdade e pegamos mais no pé um do outro com relação à afinação, roupa. A exigência profissional é maior”, destaca Maria Gabriela.


Como reflexo, ela garante que a qualidade do trabalho é melhor.


Familiares


Mais da metade das empresas instaladas no Brasil são familiares, conforme afirma o coordenador dos MBAs de Marketing e de Gestão de Negócios em Vendas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Fernando Marchesini.


No entanto, alguns cuidados devem ser tomados para que o relacionamento profissional não atrapalhe o pessoal. E vice-versa.


Se a empresa for grande, o ideal é que os casais façam parte do Conselho Administrativo, deixando a execução para pessoas que não tenham relação pessoal com a companhia. “Nesse caso, é mais fácil ver o quatro todo. E, se algo der errado, há menos dificuldade para dispensar o diretor, no caso”, diz Marchesini.


Mas, se a execução ficar a cargo dos donos, é necessário ser o mais profissional possível. “Pensar em um processo sucessório é fundamental. Afinal, as pessoas não duram para sempre. Mas empresas podem durar”, afirma.