Desde o início do ano, o avanço assustador da pandemia da Covid-19 tem sido diretamente proporcional à evolução de indicadores negativos da economia brasileira. Para se ter uma ideia, enquanto o número de mortes causadas pela doença apenas em Minas subiu 101,8%, de janeiro até ontem a projeção feita por analistas de mercado quanto à inflação também teve elevação significativa no período.

Segundo boletins epidemiológicos divulgados pela Secretaria de Estado da Saúde de Minas (SES-MG), em janeiro o Estado tinha 734.486 pessoas infectadas pelo novo coronavírus e 15.060 mineiros haviam perdido a vida para a enfermidade, desde a sua chegada. Com a doença descontrolada, abril repetiu março e teve quebra de recordes, atingiu o pico de doentes e mortos no Estado: 1.281.421 e 30.397 (o dobro).

Paralelamente, importantes projeções econômicas se deterioraram. Pelos dados do Boletim Focus, divulgado pelo BC, a expectativa de fechamento do IPCA (que mede a inflação) em 2021 aumentou de 3,53% em janeiro para 4,92% este mês. Para a economista Mafalda Valente, das Faculdades Promove, a alta geral de preços – em meio ao momento mais crítico da pandemia – reflete toda a fragilidade da economia brasileira neste momento. “Tínhamos um otimismo no início do ano que acabou se esvaindo com a disparada dos números da pandemia. Com as medidas de restrições das atividades econômicas era natural que os preços também subissem, por conta da diminuição da oferta”, explica.

Juros e câmbio em alta

Outros dois indicadores econômicos com reflexos no ritmo da retomada e no bolso dos cidadãos seguiram tendência de alta (o que é ruim) de janeiro a abril. A expectativa para a subida no ano da Selic – taxa básica de juros da economia que, em baixas recordes, vinha sendo importante aliada de alguns segmentos, como o da construção civil – saiu de 3,5% para 5,25%. 

O câmbio também sofreu. Se, em janeiro, a moeda norte-americana era cotada a R$ 5,01, em abril bateu a marca de R$ 5,40. Para o economista Felipe Leroy, do Ibmec, a pressão nas contas públicas – com a necessidade da reedição do auxílio-emergencial, aliada ao avanço da inadimplência e da inflação, puxaram a subida do câmbio e da Selic. “O BC não tinha mais como manter juros nos parâmetros em que estavam, principalmente com o aumento da inflação e do endividamento público. E a desvalorização cambial vem à reboque”, afirma Leroy.

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