Apesar da pouca idade, os pequenos exercem uma influência gigante sobre os pais quando o assunto é consumo. Estudo realizado pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) mostra que as crianças influenciam no poder decisório de 60% das compras das famílias, seja na aquisição de produtos alimentícios, brinquedos, roupas, carros ou seja na casa para morar.

A interferência nas decisões não é brincadeira. E muitas vezes acaba de uma forma nada divertida para o orçamento. Quatro em cada 10 mães ouvidas pela pesquisa, feita em 27 capitais, já ficaram, em algum momento, endividadas em decorrência das compras que fizeram para os filhos e 10% já deixaram de pagar alguma conta porque compraram algo que os rebentos viram na mídia.

“A vontade de agradar as crianças não pode se sobrepor às condições do próprio bolso, ainda mais em tempos de crise. Além disso, essa atitude pode dar exemplos ruins aos filhos e dificultar um ajuste financeiro quando necessário, como uma eventual perda do emprego, por exemplo”, alerta a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti.

Nova geração

Vice-presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH), Marco Antônio Gaspar diz que a influência que os pequenos exercem sobre os pais é cada vez maior.

“Na minha geração, os filhos respeitavam os mais velhos. Hoje, eles mandam na gente. São eles que definem quase tudo”, brinca. E o comércio faz a festa. “Geralmente, quando o pai vai à loja acompanhado do filho, ele sai de lá com o que foi comprar mais um presentinho extra”, diz.

Professor de Administração Mercadológica da Faculdade IBS/FGV, Carlos Frederico Habel diz que, ciente do poder da criançada, empresas se desdobram para agradar pais e filhos. “Percebemos que há um esforço maior para envolver toda a família e vender mais”, afirma. Um dos exemplos citados por ele são as concessionárias, que passaram a reservar um local especial para a meninada, chamado de espaço kids.

“Os brinquedos têm a função de entreter crianças de até seis, sete anos. Mas os que já têm mais idade ficam mesmo grudados nos pais. Dão palpite no modelo e definem até a cor do carro. Já vi cliente antecipar a troca por um zero quilômetro só porque o filho pediu”, diz a coordenadora de Marketing da Honda Banzai, Isabela Santos.

Pensando em oferecer uma distração aos filhos enquanto os pais não economizam nas compras, o BH Shopping vai inaugurar ainda este ano um espaço com diversos brinquedos e monitores à disposição.

“Uma pesquisa interna mostrou que 42% dos filhos entre cinco e 12 anos já escolhem o shopping que querem ir. E 15% fazem uma opção diferente da dos pais. Por isso estamos investindo nesse público”, revela o gerente de Marketing do mall, Renato Tavares.

Também vale fisgar a criançada pelo estômago. Dono do restaurante República da Esbórnia, no Buritis, o empresário Bruno Cicutti prepara uma reformulação no cardápio, com a inclusão de sanduíches e pratos temáticos. A partir das 18 horas, o parquinho de diversão da casa conta com uma monitora para entreter as crianças enquanto os pais tomam um chopinho. “Atender bem a toda família é essencial para o negócio”, diz.