Como se não bastassem os juros altos, que retardam os negócios a crédito e travam o caixa, e a inflação, que espanta o consumidor, os supermercados têm enfrentado uma situação cada vez mais crítica: o aumento da percepção da criminalidade. Como consequência, 46,5% dos empresários mudaram os hábitos e 50% investiram mais em segurança nos últimos tempos.

Os aportes para manter o estabelecimento a salvo giram entre 20% e 30% do faturamento para 47,2% dos varejistas, segundo aponta a pesquisa Vitimização dos Supermercados, realizada pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Minas Gerais (Fecomércio-MG), em parceria com o Sindicato do Comércio Varejista de Gêneros Alimentícios de Belo Horizonte (Sincovaga-BH). Outros 47,2% gastam até 20%, conforme o mesmo estudo.

Os circuitos internos de TV são os preferidos dos empresários. Em 2015, eles representaram 35,3% dos investimentos realizados em segurança. O índice é superior ao do ano passado (28,4%) e em 2013 (32,8%).

Proprietário do supermercado B2, no Prado, e presidente do Sincovaga-BH, Gilson Lopes investiu pesado em segurança. Somente no estabelecimento, de médio porte, ele instalou 32 câmeras.

“É mais segurança para mim, para o meu cliente e para o meu funcionário”, afirma. De acordo com o empresário, o investimento inicial é alto, mas vale a pena e é necessário. “Depois, temos que fazer investimentos em manutenção e melhorias, como instalação de outros sistemas”, afirma.

 

Pesquisa mostra que aumentaram crimes contra supermercados na capital mineira


Equipamentos

Entre os outros sistemas a serem instalados, os alarmes ocupam a segunda posição na preferência do comércio, que consumiram 28,5% dos investimentos feitos em segurança. O percentual é superior ao registrado no ano passado (27,7%) e em 2013 (19,6%).

As trancas nas portas e janelas também ganharam espaço e o investimento saltou de 11,2% em 2014 para 11,7% em 2015. O mesmo fenômeno é percebido na instalação de grades em janelas, com ampliação de 8,1% em 2014 para 9,3% em 2015. As cercas elétricas ocupam o quinto lugar entre os sistemas de segurança mais procurados, com 6% da preferência em 2015, contra 4,9% em 2014 e 1% em 2013.


Padrão Fifa

Lopes afirma que em 2014, ano da Copa , houve uma intensificação do policiamento na capital mineira, com reforço de policiais de cidades do interior e de profissionais do administrativo. Como reflexo, a percepção de violência nos comércios foi reduzida naquela época.

“Foi uma pena não ter continuado, pois os crimes voltaram a acontecer assim que os policiais foram embora. E a sensação é que nós, comerciantes, devemos arcar com a segurança pública”, critica o representante da categoria.

A analista de pesquisas da Fecomércio-MG, Elisa Castro da Mata Ferreira, afirma que o levantamento foi apresentado à Polícia Militar e ações foram discutidas.


Comerciantes deixam de denunciar crimes à polícia

Em encontro com representantes da Polícia Militar, foram apresentados aos varejistas formas de melhorar a segurança dos estabelecimentos. Entre eles, foi ressaltada a necessidade de ampliar o relacionamento com os policiais que patrulham uma região específica, conforme afirma a analista de pesquisas da Fecomércio-MG, Elisa Castro da Mata Ferreira. “É necessário estar próximo dos policiais, montar uma rede de comércio amigo, assim como existe com as residências”, diz.

De acordo com o levantamento, 96,5% dos comerciantes que sofrem alguma agressão, como assalto, chamam a polícia. A maioria dos que não acionam a PM (80%), afirmam que não acreditam que o esforço possa surtir algum efeito. O restante (20%) diz que o objeto roubado não era de grande valor.


Percepção

Segundo o levantamento, 25,8% dos entrevistados acredita que a criminalidade em Belo Horizonte “aumentou muito” nos últimos 12 meses. O índice das pessoas que acham que a criminalidade “aumentou” na capital mineira é de 59,9%. “Está igual” é a resposta de 12% dos entrevistados. Ninguém acha que a situação melhorou muito na cidade, mas 2,7% disseram que a criminalidade diminuiu.

Quando o assunto é o bairro em que o comerciante possui loja, 19,7% acreditam que a criminalidade “aumentou muito”, enquanto 46,3% dizem que “aumentou”.