Para fazer caixa e pagar dívidas, a Petrobras elevou o valor dos projetos e investimentos de que pretende se desfazer em 2015 e 2016. A empresa espera obter até US$ 13,7 bilhões (R$ 39 bilhões) com as vendas.
 
A cifra representa um aumento de 25% em relação ao teto da meta original --de até de US$ 11 bilhões (R$ 32 bilhões), estabelecida em fevereiro de 2014 em seu Pano de Negócios 2014-2018. O piso, na época, foi fixado em US$ 5 bilhões (R$ 14,5 bilhões).
 
A Petrobras não listou os projetos que serão colocados à venda. Segundo a estatal, 30% dos recursos devem vir de projetos de exploração e produção, com a venda parcial ou integral de campos de petróleo e gás.
 
Outros 30% terão origem na área de abastecimento, que inclui refinarias, dutos, terminais e a rede de postos de combustíveis. A maior fatia deve ser obtida em empreendimentos de gás e energia, como termelétricas, gasodutos e unidades de produção de fertilizantes.
 
A estatal já fez contato com bancos de investimentos, segundo a reportagem apurou, para buscar parceiros para comprar uma fatia ou a totalidade dos empreendimentos.
 
Sem publicar balanço auditado e após perder o grau de investimento, a estatal viu seu crédito restringir-se e será forçada a se desfazer inclusive campos de produção, cujo valor é afetado pela queda do preço do petróleo.
 
Em comunicado ao mercado, a Petrobras afirmou que a nova meta para a venda de projetos e empreendimentos faz parte "do planejamento financeiro que visa à redução da alavancagem e preservação do caixa". Em outras palavras, a estatal pretende reduzir seu pesado endividamento --de R$ 332 bilhões.
 
Esse foi um dos principais motivos para que a nota de risco de crédito da estatal tenha sido rebaixada para grau especulativo pela agência Moody's.
 
A própria Petrobras, no comunicado, reitera que o sucesso do novo plano depende das condições de mercado, como cotação do petróleo, câmbio e crescimento da economia.
 
AUDITORIA
 
O Conselho de Administração aprovou na sexta-feira a renovação do contrato de auditoria independente até 2016 com a PwC (PricewaterhouseCoopers), que tem se recusado a assinar o balanço da companhia referente ao ano passado.
 
O prolongamento do contrato da auditoria PwC  tem o objetivo de dar continuidade ao trabalho para depuração dos valores atribuídos à corrupção dos ativos da companhia e finalmente aprovar as contas da estatal.
 
A empresa de auditoria pediu um valor anual 147% acima do que a estatal pagava desde 2012 e 2015.