A atividade econômica deve mostrar retração neste ano pior do que aquela estimada pelo mercado financeiro, previu Claudio Considera, pesquisador associado do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV) e responsável pelo Monitor do PIB. A FGV informou nesta sexta-feira (15) que a queda na atividade acumulada nos 12 meses encerrados em fevereiro está em 4,1%, o 14º resultado negativo consecutivo nesse tipo de comparação, segundo o Monitor do PIB.

O último Relatório de Mercado Focus, divulgado na segunda-feira (11) pelo Banco Central (BC), mostrou que as previsões das instituições privadas para o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro deste ano são de retração de 3,77%. Um mês antes, o recuo estimado era de -3,54%. "As previsões vão piorar. O PIB deve ficar mais negativo ao longo do ano", previu Considera.

O destaque negativo no Monitor é a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), que recua 15% no acumulado em 12 meses até fevereiro. O Consumo das Famílias diminuiu 4,3%. "As famílias estão consumindo menos, a inflação está comendo a renda, e ainda por cima tem o desemprego, que vai continuar aumentando", justificou Considera.

Segundo ele, tampouco há perspectiva de retomada do investimento. "A falta de confiança na política econômica impede os empresários de voltar a investir. Os 'caras' não sabem o que vai acontecer. Tem que haver uma definição de uma vez", opinou.

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