Levantamento da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) mostrou que, entre abril e julho, em meio à pandemia do novo coronavírus, os preços dos insumos do setor dispararam no país. De todos os itens, o cimento foi o que teve maior elevação: 95% das 462 empresas consultadas (52 delas mineiras) apontaram subida de 10% ou mais nos valores do produto.

Para o presidente do Sindicato da Indústria da Construção no Estado (Sinduscon-MG), Geraldo Jardim Linhares Júnior, que acionou o Procon-MG contra as remarcações pelas produtoras de cimento, os aumentos são “injustificáveis”. Mesmo diante de um grande crescimento da demanda, seja em função do isolamento social, que tem intensificado reformas domésticas, ou da queda das taxas de juros no país, o que amplia produção e vendas de novas unidades. 

“É injustificável, especialmente, se considerarmos os baixos índices de inflação e o cenário de pandemia”, diz. “Os fabricantes de cimento, aço, PVC e cobre não estavam parados. As fábricas estão rodando, não na plenitude das suas capacidades, mas a produção não parou. Como o setor da construção civil foi considerado essencial, as obras formais tiveram sequência durante a pandemia, assegurando a compra dos insumos desses fornecedores”, acrescenta.

Ainda de acordo com Linhares, as correções do cimento variaram conforme as regiões, mas, em alguns casos, chegaram a 15% em quatro meses. “O impacto é muito grande, porque o cimento é um subproduto na fabricação de concreto e argamassas industrializadas, insumos que correspondem a cerca de 25% do custo das obras do Minha Casa Minha Vida”, sustenta o empresário.

“O aumento pressiona o custo da obra em relação à venda, prejudicando o previsto nas viabilidades aferidas pelas empresas de lucratividade. Além disso, temos um aumento do prazo de entrega, em especial o cimento, material que era fornecido anteriormente num prazo de 48 a 72 horas e atualmente o prazo é de 20 dias”, completa. 

Depósitos

Na capital mineira, clientes de casas de materiais de construção –gente que, na maioria das vezes, sequer obtém descontos típicos de compras em grande escala, como ocorre com as construtoras – até têm sentido a alta nos preços, mas não param de adquirir os produtos. 

Segundo o gerente de compras do Depósito Malta, na região Noroeste da cidade, Aloísio Vieira, o pacote de 50 quilos de cimento custava, antes da pandemia, R$ 17,90. Hoje, sai por R$ 23,90 (33,5% mais caro). Já o tijolo de 12 furos, que era vendido em março a R$ 0,99, custa agora R$ 1,60, em média (61,6% de alta).

O exemplo que mais chama a atenção, contudo, é o da barra de ferro de três oitavos de bitola e 12 metros de comprimento: subiu de R$ 39 para R$ 52,99 (35,87%), mas apenas entre a semana passada e ontem. 

“Mesmo com esses reajustes, a procura continua em alta. Fabricantes do material nem têm dado conta de repor os estoques das distribuidoras”, afirma Vieira.