Sete em cada dez belo-horizontinos que vão presentear as mães no próximo domingo garantem que as compras serão à vista, sobretudo para evitar novos endividamentos. É o que mostra pesquisa divulgada ontem pela Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH). O dado também explica por que o movimento no comércio, ao menos até essa quarta-feira (5), véspera do quinto dia últil do mês, ainda era tímido.

“Com o dinheiro em mãos, em função do recebimento do salário (o que deve ocorrer a partir de amanhã), a tendência é de aquecimento nas vendas nos próximos dias”, destacou o presidente da CDL-BH, Marcelo de Souza e Silva.

A tendência por um maior volume de aquisições sem parcelamento é fruto, segundo especialistas, de dois fatores. Por um lado, a população está com o poder de compra comprido, por obra dos efeitos econômicos da pandemia. Por outro, parece haver uma nova consciência de consumo, também fruto dos impactos da Covid-19. 

E é justamente a possibilidade de mais compras à vista que faz com que os lojistas acreditem em aumento nas vendas. Para o presidente da CDL-BH, os empresários devem fazer promoções de última hora e atrair mais clientes, devido à facilidade no pagamento. “Essa expectativa do maior volume de pagamentos a vista, vai dar margem para mais pechincha e negociações”, destaca o presidente da CDL/BH.

Como a expectativa é de que muitos consumidores deixem para a última hora para fazer as compras, devido ao recebimento dos salários, a CDL enviou ofício à PBH pedindo a flexibilização do funcionamento do comércio no próprio domingo e aguarda resposta. “Acreditamos que isso diminuiria eventuais aglomerações”, disse Souza e Silva.

Novos hábitos

Segundo a pesquisa da entidade de lojistas, a maioria dos consumidores (51,8%) pretende comprar somente um item para presentear a mãe e deve gastar, em média, R$ 104,52. É esse o caso do músico Daylon Gomide, de 35 anos. Com dinheiro na mão, ele preferiu antecipar a compra do presente da mãe, já nessa quarta-feira. “Não queria enfrentar aglomeração e, por isso, pesquisei e já fui direto na loja onde encontrei o presente. Paguei à vista e resolvi esse problema”, destaca o músico.

Tal mentalidade é o que deve nortear cada vez mais o comportamento do consumidor em datas especiais. Para o consultor financeiro Paulo Vieira, a tendência é de que as pessoas gastem menos, mas de uma vez, não somente no Dia das Mães. “Todo mundo compreendeu, mesmo que à força, que é necessário valorizar cada centavo e que é melhor evitar dívidas, comprando o que se quer com o dinheiro que se tem na ocasião”.

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