A privatização das BRs 262, que liga Minas ao Espírito Santo, e da 050, de Minas a Goiás, tem pelo menos um consórcio com participação certa e que minimiza a taxa de retorno (TIR), de 7,2%, criticada por especialistas. A Ecorodovias lidera um consórcio com outras duas companhias – sendo uma delas mineira – que ainda terão os nomes mantidos em sigilo. O leilão está previsto para 18 de setembro na BM&F Bovespa e será o primeiro do plano de concessões de rodovias lançado há cerca de um ano.
 
A Ecorodovias é controlada pelo grupo CR Almeida e administra seis trechos de rodovias, que somam 1,935 mil quilômetros, nos estados de São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul e Espírito Santo. O diretor de finanças da companhia, Marcello Guidotti, comentou, durante apresentação na Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento de Mercado de Capitais em Minas Gerais (Apimec), que embora considere que as condições de financiamento apresentadas pelo governo federal sejam boas e minimizem a taxa de retorno não tão favorável, outras exigências do edital precisam ser revistas.
 
“O governo trabalha com a lógica do governo e exige investimentos antes da demanda justificar, como as duplicações das pistas em cinco anos. O privado pensa diferente, não dá para investir e confiar que no futuro as receitas virão”, disse.

As condições de financiamento também destacadas por Guidotti são Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) mais até 1,5% de juros e carência de 3 anos. A amortização será em 20 anos e o grau de alavancagem varia de 65% a 80%.
 
No caso da 262, o trecho que será concedido vai do entroncamento da BR-381, em João Monlevade, ao entroncamento com BR-101, em Viana, no Espírito Santo. A BR- 050 será administrada do município de Delta, no Triângulo Mineiro, na divisa de Minas Gerais com São Paulo, até Cristalina, em Goiás.
 
A Ecorodovias, que ainda não administra nenhum trecho de estradas em Minas Gerais, também pretende arrematar outro lote que irá a leilão, informou Guidotti. Trata-se da BR- 040, prevista para ser concedida em trechos que cortam Minas Gerais, Goiás e Distrito federal.