O Norte de Minas tornou-se polo da bananicultura e líder da produção de banana no Estado, sendo responsável por mais de 50% da produção. Para falar sobre esse importante setor, Força do Campo conversou com a coordenadora do Programa Estadual de Fruticultura da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), Maria Geralda Vilela Rodrigues. Mineira de Itaguara, doutora em agronomia, ela é pesquisadora da Epamig nas áreas de bananicultura e nutrição de frutas tropicais. Coordenadora da 8ª edição do Simpósio Brasileiro sobre Bananicultura (Sibanana) que, nesta semana, reúne a cadeia produtiva do setor em Montes Claros, ela reconhece que o encontro acontece em um momento difícil para a economia nacional, mas que pode viabilizar uma resposta do setor com negociações, acordos, parcerias e união.

O Brasil já ocupou o primeiro lugar no ranking de país com maior área de produção de banana. Atualmente, é o terceiro maior produtor do mundo. Qual a principal contribuição do país nesse cenário mundial da bananicultura?

O Brasil exporta pouco da sua produção por ter um grande mercado interno. Somos um dos maiores consumidores da fruta in natura. A fruta produzida no Brasil tem alta qualidade nutricional e sensorial, porém ainda nos falta melhorar o aspecto visual, característica muito importante quando se pensa em exportação. Várias iniciativas de exportação com sucesso têm sido feitas. Em 2015, a estimativa é a de produzir mais de sete milhões de toneladas, sendo que a maior parte é para abastecer o mercado interno. A banana é cultivada em todos os estados brasileiros, com expressividade socioeconômica para o país, com geração de 1,3 milhão de empregos.

Como é a participação de Minas na produção brasileira de banana?

É o terceiro maior Estado produtor. As regiões Sul e Norte do Estado são as principais produtoras, sendo que no Sul predomina o cultivo em sequeiro e, no Norte, a fruticultura irrigada, que é a principal geradora de empregos na região. O Norte de Minas responde por mais de 50% da produção do Estado. Dos 15 principais municípios produtores de banana em Minas, oito estão na região Norte. Por ser um Estado de grande extensão territorial, com diversidade de clima e solo, as técnicas de cultivo devem ser regionalizadas para obter sucesso.

Como a pesquisa tem contribuído para o fortalecimento do setor?

A pesquisa agropecuária mineira teve papel fundamental em transformar o Norte de Minas em polo produtor de banana, líder na produção do Estado e um dos principais do país. Desde a década de 70, a Epamig atua em pesquisa e transferência de informações tecnológicas para o setor. Em 1979, a empresa instalou o primeiro experimento com irrigação de bananeiras na região. A partir de então, juntamente com outras instituições parceiras, a pesquisa tem gerado tecnologias de produção, manejo.

Quais os principais desafios da pesquisa em bananicultura?

A bananeira é uma planta exigente em água e, neste cenário de escassez hídrica, desenvolver tecnologias que possibilitem o cultivo de bananais economicamente viáveis, com produção de qualidade e mínimo uso de água se torna um dos principais desafios da pesquisa. Especialmente no Norte do Estado, onde a produção é 100% feita sob irrigação. Essas tecnologias englobam diferentes áreas, como engenharia da irrigação, sistemas de irrigação e manejo destes, manejo do cultivo e da cobertura do solo, melhoramento genético, entre outras. Outro grande desafio para a bananicultura do Norte de Minas é a convivência com o mal-do-Panamá, doença responsável pela redução de algumas áreas de cultivo da prata-anã, variedade mais cultivada na região e susceptível à enfermidade. A maior conservação dessa fruta após colheita, possibilitando o comércio em mercados distantes, é outro grande desafio para a pesquisa.

O Sibanana abordará mercado, uso racional da água, manejo, fisiologia e doenças