A combinação entre a pandemia (com a redução da mobilidade social e turística e o fechamento de pontos de venda), os altos impostos e a concorrência desleal de fabricantes informais tem tirado o sono de pequenos produtores de cachaça mineiros, mesmo diante de ligeiros sinais de retomada das vendas.

Dono da Vista Verde, de Santa Rita do Sapucaí, no Sul do Estado, José Carlos Ribeiro conta que, com a chegada da Covid-19, viu o faturamento com a produção diária de 200 litros da bebida simplesmente despencar. “Em 2020, passamos por um período terrível. Nos pólos turísticos próximos, onde concentramos a maior parte das nossas vendas, como Gonçalves (MG) e Campos do Jordão (SP), além de outras cidades, tivemos queda de 80% na comercialização, já que houve aquela fuga dos turistas”, lembra. 

“O resultado foi que precisei reduzir em 30% o número de colaboradores”, diz, lembrando que planos de exportar a cachaça para a China, embora adiantados no início do ano passado, também precisaram ser interrompidos.

Ribeiro destaca, ainda, que a grande quantidade de alambiques clandestinos na região – onde “apenas um a cada oito é formalizado” –, vendendo produtos sem recolhimento ao fisco, prejudica o negócio. “Basta dizer que, no caso da minha cachaça, comercializada por R$ 25, cerca de R$ 20 são tomados pelos impostos”.

Já o também fabricante formalizado Mota Mateus, proprietário da Prazer de Minas, em Esmeraldas, Grande BH, diz estar ansioso pela reedição dos padrões de produção e faturamento pré-pandemia. “Ano passado, vendemos 40% a menos do que em 2019. Este ano, 30%. Com o avanço das vacinas e a reabertura dos bares, neste semestre, demos uma respirada, mas ainda falta um bocado para dizer que nos recuperamos”, ressalta.

 

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