BRASÍLIA - A proposta conjunta dos países do Mercosul para a criação de uma área de livre comércio com a União Europeia será finalizada esta semana em reunião no Rio de Janeiro, afirmou o ministro Fernando Pimentel (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) nesta quinta-feira (12).

A troca de ofertas entre os dois blocos, contudo, que estava prevista para a próxima semana, ficará para o ano que vem, conforme antecipou a Folha de S.Paulo. Os europeus pediram o adiamento, alegando pendências em sua proposta.

O movimento frustrou os negociadores brasileiros que vinham fazendo um grande esforço nos últimos meses para acomodar os pleitos dos países do Mercosul numa única oferta -especialmente os da Argentina, que se mostrava resistente a seguir com o acordo.

Segundo Pimentel, haverá uma "proposta-base" única envolvendo Brasil, Uruguai, Paraguai e Argentina. A oferta, contudo, também irá prever prazos diferentes de eliminação das tarifas para parte dos produtos de cada país. A Venezuela não irá participar das negociações.

"Sempre vai ter velocidades diferentes. Isso faz parte do processo. Mas vamos ter uma proposta-base que é a mesma para os quatro países", afirmou o ministro após participar de encontro entre empresários brasileiros e franceses no Encontro Nacional da Indústria, em Brasília.

Segundo ele, as velocidades diferentes permitirão que se atinja dentro de 15 anos a meta de 100% de "desgravação" entre os dois blocos, termo utilizado para definir a eliminação total das tarifas.

Pimentel afirmou não saber qual será o percentual de produtos que entrará na proposta-base, mas que será um "mínimo bem expressivo".

"Vocês estão muito preocupados com isso. Por que não estão preocupados com a União Europeia que nem proposta tem?", disse.

Durante seu discurso no encontro, que teve a presença da ministra do Comércio Exterior da França, Nicole Bricq, Pimentel já havia afirmado que é preciso avançar no acordo de livre comércio e que a decisão dos europeus de adiar a troca de ofertas surpreendeu o Mercosul.

Ele negou, contudo, que haja risco da negociação ser enterrada mais uma vez, como ocorreu em 2004.

"Não, imagina, de jeito nenhum. Eles vão apresentar. Só que eles estão mais atrasados do que nós", afirmou. "Eles falaram [em adiar para] janeiro, mas como não fixaram data, então vai saber?".