A produção industrial de Minas Gerais chegou, de novo, ao fundo do poço. Devido à retração econômica, em 2015 as indústrias mineiras produziram 7,9% a menos do que no ano anterior, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. O índice é o segundo pior da série histórica, iniciada em 1985, e só perde para 2009, quando a baixa foi de 12,4%. Naquele ano, o Brasil sentia os reflexos da crise econômica internacional. E, se olhando para trás o cenário é ruim, para frente as previsões são ainda mais nebulosas.

“É o terceiro ano consecutivo de queda. Não esperamos uma recuperação no curto prazo”, afirma o economista do IBGE Antonio Braz. Em 2013 houve retração de 0,3%, seguida por recuo de 2,5% em 2014. No Brasil, o encolhimento foi de 8,3%.

Em 2015, a fabricação de veículos automotores, reboques e carrocerias fechou em queda de 33,1%. A redução no ritmo do setor, um dos mais representativos do Estado, acaba afetando outros segmentos, conforme afirma o economista do IBGE.

“O peso do setor automotivo é muito forte, embora a queda de máquinas e equipamentos tenha sido maior (38%) devido à falta de investimentos, principalmente, em infraestrutura. Quando há menos veículos fabricados, toda a cadeia produtiva, inclusive indireta, é afetada, com impactos em plásticos, autopeças e aço, dentre outros”, explica Braz.

O setor têxtil sofreu retração de 28,5%. O índice superou as previsões mais pessimistas do presidente do Sindicato das Indústrias Têxteis de Malhas no Estado de Minas Gerais (Sindimalhas-MG), Flávio Roscoe, de queda de 25% no ano.

De acordo com o presidente do Sindimalhas-MG, um dos motivos da redução das encomendas é a alta inflação, que bateu em 10,67% em 2015. Distante do teto estipulado pelo governo (6,5%), o índice corrói a renda do consumidor.

Como reflexo, ele ressalta que 5% das empresas do setor em Minas Gerais fecharam as portas. Para o futuro, Roscoe não sabe o que esperar. “Quem souber o que vem pela frente merece um prêmio e vai ficar rico. Não fazemos ideia do que vem por aí. Só nos resta aguardar”, diz.

Quem também não sabe como o ano vai se comportar é o gerente de vendas da Mate Couro, Lázio Divino Pinto. No ano, a produção da bebida foi reduzida em 3%, índice menor do que a média do Estado, de 4,5%. “Sempre fazemos uma reunião no início do ano para traçar os rumos da companhia. Mas em 2016 não foi possível desenhar um panorama concreto. As crises política e econômica fazem com que tudo mude o tempo todo”, lamenta. O executivo se diz satisfeito se o ano fechar como 2015.

O primeiro mês de 2016 já foi negativo. “Fechamos em queda de 20% na comparação com igual período do ano passado”, lamenta. Além da inflação, ele cita o desemprego. “As pessoas estão comprando menos. Ou porque já aconteceu com elas, ou porque têm receio”, afirma.

Outros estados

A produção da indústria encolheu em 12 dos 15 locaispesquisados pelo IBGE. No maior parque industrial do país, São Paulo, a queda foi de 11,0% em relação a 2014. As demais perdas foram registradas no Amazonas (-16,8%), Rio Grande do Sul (-11,8%), Ceará (-9,7%), Paraná (-9,6%), Santa Catarina (-7,9%), Bahia (-7,0%), Rio de Janeiro (-6,5%), Pernambuco (-3,5%), Região Nordeste (-3,0%) e Goiás (-2,5%).

*Com agências