Pressionadas pela queda nas vendas, que chegou a 70% em junho na comparação com igual período do ano passado, as revendedoras de motos de Minas Gerais abrem a temporada de demissões. Fechar lojas e mudar o ponto também fazem parte dos planos dos empresários. O movimento de baixa é resultado da política restritiva dos bancos na aprovação de fichas de financiamentos.

De acordo com o proprietário da Moto Via, Rodrigo Brito de Souza Braga, 74 motos foram vendidas nas nove unidades da empresa em junho. O número equivale à metade do comercializado no mesmo mês do ano passado. “Os bancos não aprovam as fichas. Para driblar o problema, incentivamos a compra à vista. Para isso, o cliente deve solicitar um empréstimo junto ao banco”, explica.

Com a perda de vendas, segundo Braga, a alternativa será fechar três unidades, localizadas em Betim, Santa Luzia e Ribeirão das Neves. As lojas empregam cerca de 15 empregados. Ao todo, a Via Motos gera 112 empregos. “Se o cenário não mudar, não teremos escolha”, diz.

A Via Motos é revendedora Dafra, cujas motocicletas são montadas em Manaus, com peças que vêm da China, Índia e Coreia. Segundo o gerente comercial da montadora, Cesar Horácio, a venda tem sido menor.

No entanto, a participação da marca no mercado aumentou. Atualmente, conforme Horácio, a Dafra detém 2,7% do mercado. “As vendas estão caindo, mas as nossas vendas estão caindo menos”, garante.

Com preços mais acessíveis, as novas marcas agem como uma pedra no sapato da concorrência. “As motos mais populares atrapalham as vendas”, afirma o sócio-diretor da Moto Stilo, revendedora de marcas tradicionais, Alexandre Fortuna.
A taxa de juros é outro entrave. Se somadas todas as taxas do financiamento, ele afirma que os custos chegam a 4% ao mês. “Ou seja, os bancos não aprovam, e, se aprovam, o cliente paga mais caro”, reclama Fortuna. A Moto Stilo registrou queda de 70% nas vendas no mês passado, no confronto com junho de 2011.

Para enfrentar o problema, Fortuna decidiu dividir a loja ao meio e alugar uma parte do espaço. Outra alternativa será mudar o ponto. Segundo ele, há a possibilidade de transferir a empresa da avenida Amazonas, onde a concorrência é alta, para o Barreiro. Demitir também foi necessário. Três vendedores e um lavador foram dispensados. Hoje, o empresário trabalha sozinho.

O cenário é o mesmo na Prado Motos. De acordo com a sócia-proprietária Derlaine Bernardes, de cada 10 fichas enviadas aos bancos, uma é aprovada. Na loja, a queda nas vendas em junho foi de 50%. “Cliente interessado tem. O problema é a aprovação. É praticamente impossível aprovar uma ficha”, diz.

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