Os preços pagos a catadores de produtos recicláveis por alguns itens subiram mais de 100% na Grande BH, em um ano. Os dados são de uma pesquisa feita pelo site Mercado Mineiro (MM), entre os dias 25 e 28 de maio. O quilo do papelão, por exemplo, encareceu nada menos do que 178%, na comparação com maio de 2020. Já o valor pelo mesmo peso de garrafas pet cresceu 124% e o das latinhas de alumínio, como as de refrigerantes e, principalmente, cerveja, teve elevação de 116%.

A disparada de preços tem a ver, por um lado, com a maior dificuldade para se encontrar recicláveis, na pandemia. Por outro, com a grande quantidade de pessoas que, sem renda, viram-se forçadas a buscar na atividade o seu sustento. Tais fatores transformaram o lixo da capital em uma espécie de lavra na qual aventureiros procuram “ouro”.

Valores pagos em BH por empresas do setor, pelo quilo de produtos tirados do lixo, variam até 400% 

Segundo a pesquisa do MM, o quilo do papelão saltou de R$ 0,24 para R$ 0,68 em um ano. O das latinhas de alumínio, de R$ 2,99 para R$ 6,48, em média. Outro item bastante procurado, as garrafas pet são vendidas atualmente por R$ 1,69 o quilo, contra R$ 0,75 em maio passado. 

De acordo o economista Feliciano Abreu, diretor do MM, a alta tem relação, principalmente, com a escassez dos itens. “Enquanto houver falta desses produtos, em razão da pandemia e dos efeitos econômicos que ela causou, como a redução de aglomerações e os fechamentos de bares e restaurantes , a tendência é de que os preços subam ainda mais”, destaca ele.

Disputa

A pesquisa também mostra que preços pagos pelas empresas de reciclagem, em BH e região, chegam a variar 400%. É o caso do quilo do jornal, comprado por R$ 0,20, menor valor, e até por R$ 1,00. O de revistas pode valer de R$0,20 a R$0,45, com uma diferença de 125%. Já o das garrafa pet oscila de R$1,30 a R$2.60 – variação de 100%. 

De acordo com Alfredo Matos, presidente da Associação dos Catadores de Papelão e Material Reaproveitável da capital (Asmare), a disparidade é fruto da alta concorrência entre as compradoras de recicláveis, mas isso tem ajudado pouco quem os recolhe. “O preço está no melhor patamar dos últimos anos, mas está muito difícil encontrar alguns itens, como as latinhas de alumínio. Além disso, muitos desses recicláveis estão indo para o lixo mesmo por conta de não praticarmos a coleta seletiva”, explica Matos.

Mais gente na praça

Se a disputa pela compra de recicláveis é intensa, o mesmo ocorre entre os que percorrem as ruas atrás dos produtos. Obtendo renda com a reciclagem há oito anos, Iuri Gomes, de 35, diz que o faturamento caiu a mais da metade no último ano. “Eu conseguia faturar algo como R$ 40 por dia e hoje, quando a coleta está muito boa, tiro 50% disso. Não está dando sequer para ter o que comer”, lamenta.

João Gomes dos Santos, também de 35, confirma: a dificuldade para encontrar recicláveis tem sido imensa. “A gente conseguia muitos materiais nos bares e restaurantes, em portas de buffets, mas com tudo isso fechado fica tudo mais difícil”, explica João. Já outro catador, Warley Fernandes, de 40 anos, reclama mesmo é da concorrência. “Tem muita gente que não vivia da reciclagem e hoje também cata latinhas”, ressalta.

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