A crise na indústria automotiva custou, apenas neste ano, 1.416 empregos na cadeia produtiva em Sete Lagoas, a 65 quilômetros de Belo Horizonte. Somente em abril, aproximadamente 390 funcionários foram demitidos, segundo o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do município, Ernane Geraldo Dias.
 
Quem ainda tem emprego teme perdê-lo a qualquer momento. Na Iveco, marca do grupo CNH Industrial, funcionários da linha de produção de caminhões pesados só trabalham três dias da semana, de terça a quinta-feira. Entre sexta e segunda, todos ficam em casa.
 
Segundo a assessoria de imprensa da Iveco, o esquema reduzido só vale para a linha de pesados, a mais afetada pela crise econômica. A empresa, no entanto, não informou quantos funcionários trabalham na nova escala.
 
O presidente do sindicato destaca que o clima de intranquilidade paira desde 2014. No ano passado, as atividades na fábrica foram paralisadas pelo menos seis vezes, com férias coletivas em janeiro, abril e dezembro, além de paradas em junho e julho, durante a Copa do Mundo.
 
A unidade em Sete Lagoas responde pela fabricação de caminhões Iveco leves, semipesados, pesados e micro-ônibus, além de comerciais leves da marca Fiat. A capacidade é de 70 mil veículos por ano.
 
“Duas das quatro maiores empresas da região já demitiram quase 750 trabalhadores desde outubro do ano passado, quando o setor começou a degringolar. Outras empresas menores fecharam as portas. A situação é alarmante”, afirma o sindicalista.
 
Sindicatos dos Metalúrgicos de BH e Contagem, Betim e Juiz de Fora informaram que, por enquanto, as homologações estão em nível normal