O pessimismo de empresários e consumidores de Belo Horizonte em relação às possibilidades de melhora da economia continua em alta. É o que mostram dois indicadores apurados pela Fecomércio-MG em maio. 

De acordo com o levantamento, o Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec) registrou a terceira queda consecutiva em 2021 – somando 79,1 pontos – e chegou ao menor patamar desde agosto do ano passado, quando alcançou 68,1. Já o Índice de Confiança das Famílias (Iec) teve retração de 5,2 pontos – saindo de 68 pontos, em abril, para 62,2. A confiança entre os familiares é a menor desde setembro do ano passado, quando chegou a 65,5. 

Ambos os índices permaneceram no nível de insatisfação, abaixo dos 100 pontos, fronteira que divide pessimismo e otimismo entre entrevistados. Nem mesmo o retorno do pagamento do auxílio emergencial, a flexibilização das atividades comerciais e o Dia das Mães – segunda melhor data para as vendas no varejo – fez com que as boas expectativas retomassem. 

Para o economista chefe da Fecomércio-MG, Guilherme Almeida, a insegurança em relação ao cenário econômico é o principal fator motivador para a acentuação do pessimismo. “Estamos em um momento de total imprevisibilidade da economia, com achatamento da renda e desemprego que potencializa o pessimismo. Tanto quem vende, quanto quem consome está com os pés no freio”, garante.

Sem mudanças

Na avaliação da Fecomércio/MG, todos os itens que compõem o ICF pioraram. As famílias estão, por exemplo, mais temerosas em relação à permanência dos integrantes nos empregos atuais – o índice que caiu de 96,3 para 90,9 pontos. Também despencaram a avaliação da perspectiva profissional (88,6 para 79,9); da renda atual (de 84,4 para 79,1); do acesso ao crédito (de 65,7 para 62,1); do nível de consumo (de 44,9 para 40,8); da expectativa de consumo (67,3 para 61,6) e da intenção de consumo de bens duráveis (de 29 para 25).

Entre os empreendedores, o Índice de Condições Atuais do Empresário do Comercio (Icaec) foi outro que apontou pessimismo, especialmente quanto às condições atuais da economia do país: em maio, atingiu 42,4 pontos, 7,2 pontos a menos que no mês anterior (49,6). 

Para o economista do Ibmec Hélio Berni, o ritmo lento de vacinação e o medo de uma nova onda de contaminação, em conjunto com o menor impacto do auxílio emergencial, fazem com que o cenário para os próximos meses não se altere. “Não há qualquer possibilidade de mudança no panorama. Infelizmente, não existem sinais de incentivos para uma retomada econômica que garanta otimismo de empresários e consumidores”, ressalta Berni.

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