O governo sinaliza que abrirá diálogo com o mercado e que precisa de tempo para colocar novamente o país no caminho do crescimento, avaliaram especialistas a partir do perfil da provável nova equipe econômica do governo federal. Os nomes que devem ser anunciados são fortemente alinhados aos padrões da política econômica do governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), que antecedeu as administrações petistas. 
 
Dados como certos na reforma ministerial, Joaquim Levy deve assumir a Fazenda e Nelson Barbosa o Planejamento, além de Armando Monteiro no Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. No Banco Central, a aposta é na permanência de Alexandre Tombini.
 
“A presidente escolheu nomes com boa aceitação no mercado porque vai dialogar mais com os setores produtivos. A estratégia é ter no governo nomes que acalmem o mercado uma vez que as medidas serão tomadas de forma gradual”, disse o vice-presidente do Corecon-MG, Pedro Paulo Pettersen.
 
Para ele, os ajustes começarão com cortes de gastos correntes, intensificação de concessões para aliviar o caixa e a própria renegociação de contratos públicos motivada pela operação “Lava Jato”. “Emprego e renda é onde a presidente não vai mexer. Para combater a inflação, vai cortar gastos e se esforçar para conter o déficit fiscal, viabilizando juros baixos. O crescimento econômico depende de fatores externos, mas ela vai tentar abrir caminho para isso”, disse Pettersen. Forte exportador de commodities como soja e minério de ferro, o Brasil assiste a uma redução de preço e demanda no mercado global, o que deixa o ambiente menos favorável ao crescimento.
 
O economista da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Samy Dana aponta como o grande desafio da nova equipe para melhorar o ambiente entre governo e mercado a demonstração de independência. “São nomes que o mercado conhece e faz boa avaliação, mas Joaquim Levy e Nelson Barbosa, por exemplo, já estiveram no governo e não tinham opinião forte. O mercado tem pé atrás e vai monitorar”, afirmou.
 
Ele avalia que o governo ganha um tom mais ortodoxo na condução da economia, e que sinaliza para um ajuste fiscal inevitável, com possível corte de ministérios e uma política monetária mais conservadora, o que significa combater inflação com juros.
 
NÚCLEO DURO DA ECONOMIA
 
Ministério da Fazenda
JOAQUIM LEVY:
Bem visto pelo mercado, foi secretário do Tesouro Nacional na gestão do ex-ministro da Fazenda, Antonio Palocci, em um momento difícil daeconomia, quando o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva assumiu a Presidência da República, em 2003. Atualmente, é o diretor-superintendente da gestora de recursos Bradesco Asset Management (Bram).
 
Banco Central
ALEXANDRE TOMBINI:
Presidente do Banco Central desde janeiro de 2011, conduziu o processo de redução da taxa Selic para o menor patamar da história durante o governo da presidente Dilma Rousseff. Funcionário de carreira do Banco Central, é Ph.D. em Economia pela Universidade de Illinois, Urbana Champaign, Estados Unidos, e bacharel em Economia pela Universidade de Brasília (UnB).
 
Ministério do Planejamento
NELSON BARBOSA:
Defensor de ideias desenvolvimentistas, trabalhou no Ministério da Fazenda de 2006 a 2013, nas secretarias de Acompanhamento Econômico, de Política Econômica e Executiva. Ajudou a elaborar as medidas para combater a
crise de 2008, além do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e o Minha Casa Minha Vida.
 
Ministério do Desenvolvimento
ARMANDO MONTEIRO:
Senador pelo PTB e ex-presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), terá como desafio ser um interlocutor confiável junto ao empresariado brasileiro. Apoiado pelo PT, disputou o governo de Pernambuco neste ano e perdeu. Ele tem mandato no Senado até 2019.