Em meio ao aumento de casos da Covid e de restrições sociais para contê-la, não é difícil perceber o clima de desconfiança entre os consumidores da capital, conforme apontado pelo ICC-BH medido em março pela Fundação Ipead/UFMG - o pior indicador para o mês (29,01, na escala de zero a 100) desde 2004.

“Os produtos e serviços aumentaram muito de valor, de maneira geral, por causa da pandemia. E é terrível porque há muita gente sem trabalhar. E aqueles que estão trabalhando ainda sobem seus preços para compensar a redução do consumo”, afirmou a aposentada Mônica Rosa De Lorenzo, de 62 anos.

Na tarde de quarta-feira (7), Mônica, que voltava a pé para casa de um supermercado na região Noroeste da capital – ela empurrava um carrinho de compras emprestado pelo estabelecimento –, ainda se gabou de não dirigir, já que os combustíveis têm sido grandes vilões da inflação. “Nem tenho carro, mas tenho acompanhado a alta nos postos de combustíveis. A sensação de todos é de incerteza”, disse.

O advogado Luiz Fernando Catini, de 41, que fazia compras em um sacolão, no bairro Padre Eustáquio, na mesma região, tentou ser um pouco mais positivo. Isso, mesmo reconhecendo que a vacinação contra a Covid – apontada como a maior esperança para a melhora da economia – ainda caminhe a passos lentos e que o momento atual “é bastante ruim”. 

“Acredito que chegamos ao fundo do poço, sim, mas já estamos saindo. À medida que os números da pandemia forem caindo, a confiança tende a voltar. Em dois ou três meses, vamos estar num patamar muito diferente do que a gente tem hoje”, sustentou.

Intenção de consumo

Já para o economista Guilherme Almeida, da Fecomércio-MG, entidade que também apontou, em março, queda no índice de intenção de consumo dos belo-horizontinos (71,9 numa escala de zero a 200, ante 73,3 em fevereiro), a situação “não deve melhorar em curto prazo”. Principalmente diante de um ritmo tão lento de imunização da população – algo que tem ocorrido na capital, no Estado e na maior parte do país.

“A crise econômica é derivada da crise sanitária e só terá solução quando essa última for equacionada. Infelizmente, tudo indica que isso ainda deve demorar”, afirmou Almeida, lembrando, porém, que, “assim que observarmos aumento dos vacinados e queda nos casos, teremos possibilidade de uma retomada”.

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