Maiores responsáveis pela geração de empregos no país em 2020, em meio à pandemia da Covid-19, os pequenos negócios começam a sentir os efeitos do endurecimento da crise econômica, gerado pelo novo avanço da doença, em 2021. Depois de um janeiro animador, com a abertura de mais de 40 mil MPE em Minas, veio o balde de água fria.

Segundo levantamento do Sebrae Minas, a partir de dados da Receita Federal, em março, pelo segundo mês consecutivo, o número de pequenos negócios abertos caiu: a retração já chega a 40% se comparada aos registros de abertura em janeiro. No mês passado, 23.997 novos empreendimentos iniciaram atividades em Minas – número 24% menor que o registrado em março de 2020. Em comparação aos três primeiros meses daquele ano, o recuo foi de 2,52%. 

“Apesar do resultado positivo em janeiro, estamos prestes a repetir os piores momentos da pandemia para o segmento em 2020”, afirma o economista Felipe Brandão, gerente da Unidade de Inteligência Empresarial do Sebrae Minas.

Restrições

O desempenho na abertura de pequenos negócios retrocedeu após o boom em janeiro, sobretudo, em razão do aumento dos números da pandemia e das sucessivas medidas de controle e de restrição de atividades econômicas. De acordo com o economista do Ibmec Eduardo Coutinho, o panorama de pouco otimismo fez com que muitos futuros empreendedores colocassem pé no freio.

“A decisão de abrir uma empresa requer que se olhe para o futuro e o futuro que temos é incerto. Os pequenos negócios, com raras exceções, precisam de pessoas e, sem a circulação delas, eles se tornam inviáveis”, explica.

Evolução

Ainda segundo dados do Sebrae Minas, obtidos de forma exclusiva pelo Hoje em Dia, 358.489 empresas de pequeno porte iniciaram atividades no Estado em 2020 – 6,3% a mais que em 2019. Em relação aos negócios ativos, Minas fechou 2020 com um total de 2.029.272 deles – uma alta de 5,5% em comparação ao 2ºsemestre do ano passado. 

Nos últimos 12 meses, o setor de serviços puxou a fila na abertura de novos negócios – 162.982 ou 46% –; seguido do comércio – com 102.504 novos empreendimentos, 29%. Os dois também foram os que mais fecharam: das 111.217 pequenas mineiras empresas encerradas no período, 45% eram de serviços e 34%, de comércio.

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