As quedas recorrentes nas vendas e no movimento do comércio varejista no país e em Minas colocam empresários e representantes do setor em alerta. Segundo Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) do IBGE, divulgada nesta terça-feira (14), o volume de vendas teve resultado negativo de 0,9% em maio, frente a abril. Foi o quarto mês seguido de queda e o pior resultado para o mês desde 2001.

Para a Confederação Nacional do Comércio (CNC), a previsão para o varejo é de retração de 1% a 2% neste ano. O movimento de fechamento das lojas devido às condições adversas já está sendo percebido na capital.

Além da queda no poder de compra do consumidor, a falta de segurança, de mobilidade urbana, de capacitação e a alta carga tributária são grandes entraves para o crescimento do comércio em Belo Horizonte, conforme apontam os empresários. “É evidente que BH está toda à venda ou para alugar”, diz Beth Pimenta, diretora do Sindicato do Comércio Lojista de Belo Horizonte (Sindilojas).

De acordo com o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL-BH), Bruno Falci, neste ano, mais lojas fecharam do que abriram. “É perceptível, basta passar pelas ruas que a gente vê muitas lojas fechadas. Mesmo em momentos de crise como este, há sempre empresários ganhando ou perdendo dinheiro. Numa época de aperto e desmandos econômicos que estamos vivendo, o número de empresas que perdem dinheiro é maior”.

A diretora do Sindilojas sentiu a queda nas vendas em suas duas lojas de roupa íntima, localizadas na avenida Bandeirantes, no Mangabeiras, e no shopping BH Outlet, região Centro-Sul de BH. “Nossas vendas na avenida Bandeirantes caíram 35% no primeiro semestre. No BH Outlet, o faturamento de junho teve uma redução em torno de 8%”.

As elevações na taxa Selic, utilizadas como principal instrumento do Banco Central para reduzir a inflação no país, não estão surtindo efeito a curto prazo, avalia o economista da Fecomércio, Guilherme Almeida.

Para ele, o comerciante só sentirá um “alívio” em 2016. “O setor é o primeiro a sentir as oscilações do mercado, pois lida com o consumidor final. As altas da inflação e da taxa de juros reduziram o poder de compra. O crédito mais restrito e o endividamento também são fatores que fazem com que o consumo diminua”.

Desafios

Os representantes da categoria relembram alguns desafios que os empresários enfrentam ano após ano. Para Bruno Falci, o governo tem falhado na prestação de serviços básicos como educação, saúde e segurança. “É a transferência dos papéis que cabem ao Estado para a iniciativa privada. Depois de já ter pago todos os impostos, o empresário tem que pagar de novo. Seja em capacitação para os funcionários, contratação de segurança, cerca elétrica e câmeras de monitoramento ou plano de saúde para seus colaboradores”, criticou.

O presidente da CDL-BH lembra ainda da burocracia que envolve a abertura e a manutenção de uma empresa. “É um cipoal tributário que acaba até induzindo ao erro. Para abrir a empresa, é necessário uma série de laudos e licenças, as leis trabalhistas são ultrapassadas e enfrentamos ainda uma alta carga tributária”.

Estratégias

Promoções e liquidações são alternativas atraentes para os consumidores e eficazes para os lojistas. Para viabilizar essa estratégia de venda, a indústria vem flexibilizando a negociação, reduzindo os preços, trabalhando com a modalidade da consignação e até trocando peças que ficam “encalhadas” nos estoques das lojas, conta Beth Pimenta. “Está sendo uma surpresa essa disponibilidade da indústria. O que é muito bom, pois abriu um outro canal de distribuição que surgiu com a crise, mas não deixa de ser um benefício”.

CDL homenageia empresários que se destacaram na capital

No Dia do Comerciante, comemorado nesta quinta-feira (15), a CDL-BH irá homenagear os 27 empresários que mais se destacaram no comércio neste ano, com a entrega de medalhas.

Três critérios foram levadas em conta para a escolha: perseverança (empresas antigas e tradicionais que resistiram às mais diversas dificuldades), inovação (empresas inovadoras que enfrentaram e venceram desafios com criatividade) e liderança (empresários que motivaram outros comerciantes a buscarem melhores resultados).

Dentre os premiados das nove regionais da capital, estão Cacau Show, Óticas Diniz, Elmo Calçados, Lojas Rede, Momo Confeitaria, Líder Interiores, Harley Davidson e Lojas Móbile.

A “Medalha 16 de julho” também será entregue a autoridades da Prefeitura de Belo Horizonte, da Polícia Militar e do Sebrae Minas que contribuíram para o desenvolvimento do setor na cidade ao longo dos anos. “O comércio é a vida da cidade, mais de 70% do PIB de BH é gerado pelo comércio e serviços, nada mais justo que, nesta data, grandes e pequenos empresários, dos novos aos mais antigos, sejam reverenciados”, ressalta Bruno Falci.

995 mil pessoas vivem do comércio em Minas, segundo a CDL-BH