A Usiminas ameaça demitir pelo menos mil funcionários em Belo Horizonte e Ipatinga, no Vale do Aço. O número equivale a 15% do quadro operacional da empresa, composto por 7 mil pessoas.

De acordo com fontes que não quiseram ser identificadas, o presidente da empresa, Romel Erwin de Souza, reuniu os funcionários da unidade administrativa da empresa no auditório, nesta quarta-feira (27) à tarde, para apresentar uma proposta de redução da jornada de trabalho e dos salários, que seria enviada ao Sindicato dos Metalúrgicos de Ipatinga e Região (Sindipa).

Pela proposta, os empregados trabalhariam de segunda a quinta-feira, com folga na sexta e redução de 15% no salário. Se o Sindipa não aceitar a redução, as demissões seriam inevitáveis, teria dito o presidente.

Segundo a assessoria de imprensa do Sindipa, a proposta não foi enviada ao Sindicato, que se reuniu com a empresa na terça-feira. Na ocasião, de acordo com a entidade, a empresa apresentou os motivos do desligamento dos dois alto-fornos, anúncio feito na semana passada.

“Vemos nessa atitude dos dirigentes da Usiminas uma forma de amedrontar os empregados. Eles estão forçando a redução dos direitos trabalhistas debaixo dos panos. O correto seria se a proposta fosse apresentada ao Sindicato, que a levaria aos funcionários em assembleia”, diz a entidade.

Ainda de acordo com a assessoria de imprensa do Sindipa, há informações de que reuniões menos formais, porém, com o mesmo conteúdo, foram realizadas em Ipatinga.

“A Usiminas não confirma os números e informa que está avaliando alternativas para preservar ao máximo sua equipe de trabalho, diante do atual cenário econômico da siderurgia”, informou, por meio de nota.