A pandemia da Covid-19 atinge a economia brasileira como um todo, mas os setores de serviços e comércio têm sentido de maneira mais evidente que os demais os reflexos das restrições aplicadas em todo o país para conter o avanço do novo coronavírus. Em Minas Gerais, levantamento da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas (FCDL/MG), feito em conjunto com a Fundação João Pinheiro, mostrou que o montante de perdas para ambos no estado, durante a chamada Onda Roxa implantada pelo governo Zema para tentar frear a doença – prevista para se encerrar no próximo domingo –, deve chegar a R$ 12 bilhões.

O estudo mostra também que os dois segmentos acumulam prejuízos diários de R$ 462 milhões no Estado e que as cerca de 203 mil empresas mineiras dedicadas a tais atividades tiveram que fechar, desde o início da crise sanitária, um total de 1.470.482 postos de trabalho, ao menos temporariamente. 

De acordo com o presidente da FCDL-MG, Frank Sinatra, o caos será ainda maior se as empresas permanecerem impedidas de funcionar. “Os estabelecimentos trabalham seguindo todos os protocolos para evitar a transmissão da Covid-19 e estão sendo penalizados. É preciso ajuda dos governos com medidas de apoio às empresas”, afirma o dirigente.

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Forte retração

O panorama de retração especificamente no setor de serviços, em Minas, consegue ser ainda mais terrível. Pesquisa do IHS Markit, divulgada ontem, mostra que o Índice de Gerentes de Compras (PMI, em inglês), que mede desempenho no segmento, registrou recuo pelo terceiro mês consecutivo no Brasil.

O PMI de serviços em março chegou a 44,1 – contra 47,1 em fevereiro – abaixo da marca de 50, que divide crescimento e retração. A marca é a pior registrada desde julho de 2020. De acordo com o economista do Ibmec Hélio Berni, o panorama é, de fato, tenebroso e muitas empresas deverão sucumbir, nos próximos meses, sobretudo se não houver aceleração do processo de vacinação contra a Covid-19, única esperança de retorno de uma relativa normalidade econômica.

“Infelizmente, a área de serviços vai pagar a conta pela falta de uma combatividade maior governamental frente ao avanço da pandemia. Com as portas fechadas, não há o que fazer”, sentencia.

Agonia

Um dos ramos dos serviços que mais agoniza frente ao avanço da pandemia em Minas é o da hotelaria. Segundo dados da Associação Brasileira da Indústria Hoteleira no Estado (ABIH-MG), 71% dos estabelecimentos - 2.730 dos 3.845 hoteis existentes - estão fechados momentaneamente por força de decretos municipais ou por decisão própria, motivada por baixa ou inexistente demanda.

O numero de empregos diretos perdidos nos hotéis mineiros em 2021 já chega a 8 mil, em apenas três meses. Somente em BH, 6.400 postos foram fechados. Para o presidente da ABIH-MG, Guilherme Sanzon, o setor pode encolher em até 70% até o fim de 2021.

“Estamos sendo dizimados. Fomos classificados como atividade essencial e somos o único setor que somente amarga prejuízos. Não tivemos nenhuma contrapartida governamental e a maioria do setor está endividada”, diz ele.

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