O setor de bares e restaurantes, um dos mais impactados pela crise econômica gerada pela pandemia, nos últimos 15 meses, é também um dos campeões quando o assunto é mudança de endereço dos estabelecimentos, em razão de desavenças no reajuste dos contratos.

“Temos visto isso acontecer com alguns empresários do segmento, que não conseguem pagar os alugueis como estão, que dirá corrigidos pelo IGP-M”, diz o presidente da Abrasel-MG, Matheus Daniel. “O que a gente tem dito aos donos de imóveis é que precisam pensar sobre o que é melhor: manter inquilinos que, em alguns casos, estão com eles há anos, ou ficar com o imóvel vazio?”.

Um exemplo de aparente opção de locadores pela segunda hipótese é dado pelo inquilino Frederico Valério Rodrigues, dono do Belorizontino Café, no Funcionários. O restaurante, aberto em 2018, sofreu com a crise da Covid desde o primeiro fechamento do comércio não essencial em BH, em março de 2020. Desde então, Rodrigues até obteve descontos no aluguel, que hoje é de R$ 3.500.

“Mas agora querem corrigir em 30%, para R$ 4.500. Não tenho condição e comecei a procurar alternativas na região. Vi uma de R$ 2.500 e outras que estão vazias há mais de três anos”, afirma.

Vice-presidente da CMI/Secovi-MG, representante do setor imobiliário em Minas, Flávia Vieira ressalta, porém, que casos como o de Rodrigues não têm sido regra. “Na área comercial, o que observamos com frequência são acordos para manutenção dos inquilinos, inclusive com descontos”, diz.

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