O Sindicato da Indústria da Construção do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP) estima uma retração de 8% no Produto Interno Bruto (PIB) da construção em 2015 e uma contração de 5% para 2016. De acordo com o grupo, a crise política e a ausência de novos investimentos públicos e privados terão grande impacto na atividade econômica do setor.

"A indústria da construção é favorável a uma resolução rápida da crise política, fundamental para a retomada das medidas destinadas ao ajuste fiscal e à consequente manutenção do grau de investimento", afirma o presidente da entidade, José Romeu Ferraz Neto. "Mas queremos simultaneamente a adoção de medidas que abreviem a recessão e levem à retomada do crescimento", acrescentou.

A coordenadora de projetos Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), Ana Maria Castelo, explicou, ao detalhar as tendências por segmento, que a atividade no mercado imobiliário não deve voltar ao terreno positivo em 2016, diante do cenário macroeconômico de desemprego, inflação e queda na confiança do consumidor. "Ainda não é possível pensar na retomada do mercado imobiliário" em 2016, disse, ao indicar que o setor deve ter baixa maior que infraestrutura.

Já em relação à infraestrutura, o cenário é mais nebuloso e depende do desenvolvimento de impasses políticos. Inicialmente, a perspectiva é negativa e não deve ter recuperação, mas não se sabe como será o cronograma de obras para o ano que vem, disse Ana Maria Castelo. Em 2015, ela explicou que infraestrutura já teve uma forte queda, maior do que a do mercado imobiliário.

A Operação Lava Jato e os efeitos nos investimentos de grandes empresas, como Petrobras, foram alguns dos principais motivos para o enfraquecimento da infraestrutura. De acordo com a pesquisadora, a redução de investimentos da estatal, que tem afetado a própria empresa e fornecedores, ainda deve afetar o ano de 2016. Do lado positivo, ela enxerga um movimento a favor de uma melhora na governança.

De acordo com o presidente do Sindicato, será fundamental atrair capital privado nacional e estrangeiro para novas concessões de Parcerias Público Privadas (PPPs), indispensável para prosseguir com o Minha Casa Minha Vida (MCMV) e Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), e ampliar a captação de recursos para financiamento imobiliário.

O dirigente apontou que há hoje uma série de ferramentas alternativas, como Letra de Crédito Imobiliário (LCI), debêntures e securitização, que poderiam ajudar a captação de recursos. No entanto, com os atuais juros elevados, não é possível acessá-los. Para ele, é preciso que o governo aplique reformas e retome o caminho do desenvolvimento, de modo que os juros recuem e se direcionem recursos para o setor de construção.

Emprego

Entre 2014 e 2015, o setor perdeu mais de 780 mil postos de trabalho. A expectativa é fechar o ano com o corte de 557 mil vagas, sendo 94 mil apenas no Estado de São Paulo. Em outubro, a construção civil brasileira já acumulava a perda de 508,2 mil empregos nos últimos 12 meses, de acordo com dados da pesquisa realizada pelo Sinduscon-SP, com base em informações do Ministério do Trabalho e do Emprego. A entidade acredita que o emprego pode ter nova queda em 2016, no patamar de 5,5% a 6% ou cerca de 200 mil vagas.

Saindo do cenário nacional para um foco mais em São Paulo, o valor do imóvel na cidade tende a ser mais alto, por causa dos efeitos do Plano Diretor, que "onerou o imóvel por restrições e exigências", disse o presidente do Sindicato. Esse movimento ocorre "não só pela baixa recente do preço, mas também pela exigência de custo do imóvel novo", acrescentou.