A startup ANS Pharma, do farmacêutico mineiro Nilton Aquino, colocará no mercado até 2016 um medicamento inovador para tratar os ferimentos de difícil cicatrização em diabéticos, reduzindo os casos de amputações. O projeto de uma nova bandagem está em fase de estudos e já recebeu, de 2011 para cá, cerca de R$ 2,5 milhões de fundos de pesquisa. (CNPq e Fapesp).

A ideia começou a ser definida a partir de um trabalho de pós-graduação de Aquino, sócio-criador da ANS Pharma, startup fundada em 2010 e incubada pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) há três anos.

O principal foco do produto são as feridas que comumente aparecem nos pés dos pacientes, principalmente, em função do uso de calçados inadequados.

Mecanismo

“Esse problema pode aparecer em qualquer membro, mas no pé é mais comum. O curativo interrompe o processo de ulceração e regenera o tecido. Em 14 dias, o ferimento já melhora bastante”, explica Aquino.

Segundo ele, a bandagem possui um ácido capaz de controlar o pH da ferida, além de um biopolímero degradável e antimicrobiano, de origem natural, responsável por impedir a proliferação dos micro-organismos, criando uma barreira. À medida que ele vai se degradando, vai servindo de substrato para o desenvolvimento celular, reduzido nos portadores de diabetes.

“O medicamento também tem o fator insulina, que estimula as células a se multiplicarem e a formarem novo tecido. Ele cria um mecanismo de regeneração uniforme e não irregular, como geralmente acontece. Aí é que está o diferencial do produto, é algo que agrega valor a ele”, diz Aquino.

Expectativa

Atualmente, os estudos clínicos do curativo seguem para as fases dois e três, nas quais são realizados testes em quantidades maiores de pacientes. Na terceira etapa, já é possível solicitar à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) o registro e a licença para o medicamento começar a ser comercializado, o que está previsto para 2016.

Mesmo com todos os benefícios e a eficácia prometidos pela bandagem, o sócio-fundador da ANS Pharma garante que o preço será razoável, em torno de R$ 80. “O custo de desenvolvimento reduz com apoios e parcerias. Vamos recuperar os investimentos com as vendas”, afirma.

Pesquisadores buscam apoio de investidor anjo

Natural de Alfenas, no Sul de Minas Gerais, o sócio-fundador da ANS Pharma, Nilton Aquino, não descarta a possibilidade de trazer o projeto para o Estado – ainda que parcialmente.

Atualmente, ele e o restante da equipe que trabalha na pesquisa do curativo para diabéticos (cerca de dez pessoas) estão em busca de investidores “anjos” que ajudem o negócio a prosperar, tornando-se sócios do empreendimento.

O investidor anjo, em geral pessoa física, atua na fase inicial do empreendimento. A ANS Pharma ainda precisa captar outros R$ 2,5 milhões até viabilizar a bandagem comercialmente.

A ida para o interior de São Paulo, segundo Aquino, aconteceu em função da pós-graduação. Depois, veio a oportunidade de integrar a Incubadora de Empresas de Base Tecnológica da Universidade Estadual de Campinas (Incamp), que permitiu a aceleração dos estudos.

“Em 2007, a Unicamp estava prestes a lançar a patente de número 500 e estava atrás de um projeto com cunho social. Nós fomos selecionados como uma espécie de patente comemorativa da universidade”, afirma o fundador da ANS Pharma.