O Vale da Eletrônica, como é conhecida a cidade de Santa Rita do Sapucaí, no Sul de Minas Gerais, está cotada para receber um parque tecnológico que vai abrigar cerca de 50 empresas. Com investimento estimado em R$ 6 milhões, o parque é um projeto do Sindicato das Indústrias de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares do Vale da Eletrônica (Sindvel) e vai projetar, ainda mais, as empresas instalada no município no mercado internacional.

“Companhias sediadas em parques tecnológicos possuem benefícios na hora de pegar financiamentos, além de fomentos e recursos diferenciados”, ressalta o presidente do sindicato, Roberto de Souza.

A ideia é a de que o parque funcione em modelo de Parceria Público Privada (PPP). O projeto aguarda aprovação do governo do Estado. Segundo Souza, o terreno onde o parque irá funcionar, de 2 mil metros quadrados, já está disponível. A previsão é a de que um prédio de 4 mil metros quadrados de área construída seja erguido no local. O início das obras, de acordo com o presidente do Sindvel, depende apenas de o governador bater o martelo.

“Vamos montar uma comissão para apreciar o projeto, criar CNPJ, acertar detalhes. Depois que o parque for oficializado, teremos condições de iniciar as obras imediatamente”, diz o representante do Sindicato. De acordo com ele, o prédio ficará pronto 18 meses após o início das obras. No futuro, será possível expandir o projeto, porém, em outros terrenos.

A contrapartida das empresas que se instalarem no local ainda não foi definida, mas a intenção de Souza é a que as companhias invistam pesado no parque, com o objetivo de fortalecê-lo. “A previsão é a de que haja um repasse de parte do faturamento, mas isso ainda é muito incipiente”, ressalta.

Economia

O desaquecimento econômico chegou ao Vale da Eletrônica, porém, devido à alta participação das exportações nas vendas, e da desvalorização do real frente ao dólar, o faturamento conjunto das 153 empresas instaladas no local deve fechar o ano semelhante ao registrado em 2014. Na avaliação do presidente do Sindvel, o resultado pode ser considerado uma vitória. “A crise econômica é nacional e o nosso mercado é basicamente nacional. Não tem como escapar”, lamenta.

Valores das exportações duplicam e atingem US$ 64 milhões

Em 2014, as empresas de tecnologia instaladas em Santa Rita do Sapucaí faturaram US$ 64 milhões com as exportações, o dobro do registrado no ano anterior, US$ 32 milhões. Para este ano, a previsão é a de que haja novo incremento, mas a porcentagem não foi estimada. O faturamento do Arranjo Produtivo Local (APL), no entanto, será levemente inferior ao registrado no ano passado, segundo estima o presidente do Sindvel, Roberto de Souza.

Ele explica que o aumento das vendas para o mercado externo é gradativo devido ao amadurecimento do APL no que diz respeito aos trâmites dos embarques. Atualmente, o Sindvel possui produtos homologados para exportação em 44 agências internacionais.

“Além das homologações, participamos de feiras e exposições, rodadas de negócios e montamos missões para viagens internacionais. Sabemos da importância de exportar”, diz. A América do Sul recebe 32% dos embarques. Estados Unidos e Ásia também são destinos dos produtos de Santa Rita do Sapucaí.

As 153 empresas que atuam no Vale da Eletrônica empregam cerca de 14 mil pessoas. Cerca de 13,7 mil produtos são fabricados, nas mais diversas áreas da tecnologia.

Mão de obra

O desenvolvimento do polo está diretamente ligado à formação de mão de obra qualificada. Em Santa Rita do Sapucaí estão instaladas instituições pioneiras, como a Escola Técnica de Eletrônica Francisco Moreira da Costa (ETE), a primeira da América Latina (1959).

Também funciona na cidade o Instituto Nacional de Telecomunicações (Inatel), referência nacional do setor de telecomunicações desde 1965.

Sul de Minas vai ganhar parque tecnológico com 50 empresas

Vendas de transmissores digitais para TV continuam fracas

Prestes de ser iniciado o desligamento do sinal analógico das emissoras de TV aberta, as empresas que produzem e comercializam transmissores digitais ainda não obtiveram o resultado esperado para a venda do equipamento. Somente no Vale da Eletrônica, seis companhias produzem os transmissores, que são necessários para que o sinal digital chegue à casa dos clientes. Sem eles, as emissoras sairão do ar. O desligamento do sinal analógico começa no final do ano e termina em 2018.

Na avaliação do diretor comercial da Hitachi, fabricante de transmissores, Yasutoshi Miyoshi, existe uma mobilização do mercado para atender à demanda, que, por enquanto, é reprimida. “Recebemos muitas consultas, mas os pedidos não são concretizados”, diz.

Com 250 funcionários, a Hitachi produz 1,2 mil transformadores por ano, mas, segundo Miyoshi, a capacidade instalada da empresa é muito maior. A expectativa, ainda de acordo com ele, é a de que as encomendas comecem a chegar no médio prazo, em larga escala.

O problema é que instalar um transmissor não é simples. Demanda mão de obra especializada e, principalmente, tempo. “Não é um micro-ondas, que você apenas liga a tomada. Mesmo que haja o transmissor pronto, é necessário mudar todo o sistema de analógico para digital”, ressalta.

O proprietário da Teletronix, Rogério Corrêa, concorda com Miyoshi sobre a possibilidade de os pedidos chegarem na última hora, embora a expectativa inicial fosse a de que as vendas deslanchassem ainda neste ano. “As cotações são recorrentes, mas as empresas não fecham negócio. As previsões de vendas em alta foram adiadas para 2016 e 2017”, ressalta.

Ainda de acordo com Corrêa, as grandes emissoras estão bastante adiantadas no processo. E as pequenas virão a reboque. “A impressão que tenho é a de que as emissoras menores estão esperando as grandes finalizarem a implantação. É como se elas não acreditassem no desligamento”, alerta.

Uma fabricante europeia de microchip para computadores estuda implantar uma filial em Santa Rita do Sapucaí. As negociações, segundo o presidente do Sindvel, Roberto de Souza, estão avançadas. O nome da multinacional não foi revelado.