Com a piora da situação financeira do Estado, o governo de Minas Gerais suspendeu o pagamento do prêmio por produtividade dos servidores públicos, marca da gestão dos ex-governadores tucanos Aécio Neves e Antonio Anastasia. 
 
Este ano, deveriam ser pagos os bônus equivalentes ao exercício de 2013, mas devido à previsão de deficit nas contas do Estado, o governo Fernando Pimentel (PT) não definiu quando a dívida será quitada. 
 
O benefício, uma espécie de 14º salário para funcionários que atingirem metas produtivas, foi implantado no governo Aécio. Em março de 2015, três meses após assumir a gestão, Pimentel assinou decreto determinando que o benefício relativo a este ano e aos anos seguintes só serão pagos se houver disponibilidade de recursos em caixa. 
 
"Assumimos que é uma dívida, podemos discutir toda a metodologia, [mas] não vamos entrar nisso agora, e vamos ver quando tivermos condição", afirmou o secretário estadual de Planejamento, Helvécio Magalhães. 
 
"Nós queremos é manter o pagamento [de salários] em dia e estamos garantindo", acrescentou. 
 
A incerteza em relação ao bônus provocou a insatisfação de sindicatos de servidores, que ameaçam fazer a cobrança na Justiça. 
 
"Desde março estamos tentando negociar com o governo, mas ainda não fomos recebidos. Se as possibilidades esgotarem, vamos ter que encontrar uma saída jurídica", diz Geraldo Henrique, presidente do Sindicato de Servidores Públicos de Minas. 
 
Na Assembleia Legislativa, a oposição tachou a medida de "calote" aos servidores. 
 
DEFICIT 
 
A reportagem questionou quais os valores das bonificações de 2013 e 2014, mas a Secretaria de Planejamento não respondeu. 
 
Pelo ano de 2012 (pago em 2014), o prêmio de produtividade foi de aproximadamente R$ 570 milhões -custo de um mês de pessoal da Secretaria de Educação. 
 
A suspensão dos bônus foi anunciado ao mesmo tempo em que o governo afirmou que o deficit para este ano subirá dos R$ 7,2 bilhões previstos para aproximadamente R$ 10 bilhões. 
 
Desde a vitória do PT na eleição de Minas, no ano passado, petistas e tucanos trocam acusações sobre os problemas no Estado. Apontado como responsável pelo déficit em MG, o PSDB listou, por exemplo, 500 obras paradas na gestão Pimentel. 
 
Frequentemente, secretários afirmam que o governo faz esforço para que o pagamento de pessoal não acabe parcelado, como no Rio Grande do Sul. O governo de José Ivo Sartori dividiu os salários dos servidores pelo segundo mês consecutivo. 
 
A perspectiva é de que também pode haver saldo negativo nas contas de 2016. Para diminuir o rombo, o governo enviou à Assembleia um projeto de lei que aumenta a alíquota de ICMS de uma série de produtos, como smartphones, cosméticos, perfumes e bebidas alcoólicas. 
 
Também foram seguradas nomeações de concursados. O projeto ainda será analisado pelos deputados.