Que tal passar uma semana em um resort de graça e ainda receber por isso? Ou então almoçar em um restaurante de luxo sem gastar um tostão e ganhar cachê para provar a comida e avaliar o atendimento do garçom? Parece impossível, mas a “regalia” pode ser realidade para o cliente oculto, quando a pessoa é contratada para “espionar” o ponto de venda a serviço do proprietário. 
 
Conhecido também como cliente misterioso, o crítico à paisana faz uma avaliação do negócio, posteriormente responde a um questionário com perguntas pré-definidas e, como o veredicto, ajuda a empresa a conhecer os pontos fracos. Fazer as vezes de detetive também incrementa a renda. No geral, cada tarefa desempenhada pode significar de R$ 0,25 a R$ 1.000 a mais no bolso.
 
Bares, cinemas, bancos, postos de gasolina, drogarias, supermercados, concessionárias etc. Segundo o professor do MBA em Gestão Comercial da Fundação Getulio Vargas/Faculdade IBS, José Luiz Meinberg, são várias as empresas que imaginam prestar um bom serviço e se surpreendem com os resultados da pesquisa in loco feita por um “consumidor” isento. 
 
“O cliente oculto é uma forma eficaz de trazer a avaliação fria para dentro da empresa. A figura do espião auxilia muito na avaliação de como está a prestação dos serviços. E quanto mais rigidez na política de atendimento, mais útil é a ferramenta para averiguar a realidade”, diz o professor especialista em processos comerciais. “Se o espião entra no restaurante, a comida está fria, o novo prato do cardápio não foi oferecido, o atendimento deixou a desejar, então isso é um alerta”, detalha. 
 
A relações públicas Isabela Faria de Oliveira Magalhães já teve seus dias de Sherlock Holmes. Em uma das empreitadas, foi a campo checar a oferta de coquetéis elaborados com uma marca específica de vodca e frutas. A cada bar que ia ganhava entre R$ 50 e R$ 55. Ao todo, visitou 15 estabelecimentos em Belo Horizonte. “Não dá pra viver disso ou encarar como profissão. Mas pode ser uma oportunidade para complementar o salário”, diz. 
 
Eduardo Grinberg, CEO e fundador do PiniOn, que fornece missões a clientes ocultos, ressalta que, no geral, a tarefa é complemento ou até mesmo hobby. “Temos usuários que já fizeram R$ 400 em um mês, mas não é nossa intenção virar a fonte de renda principal de ninguém”, diz.