RIO – O presidente da Usiminas, Julián Eguren, disse na última quinta-feira (9), durante o Congresso Brasileiro do Aço, no Rio de Janeiro, que já recebeu propostas para a venda da Usiminas Automotiva e que analisa alternativas para a Usiminas Mecânica. As empresas controladas integram um plano de alienação de ativos da Usiminas que estão fora do negócio siderúrgico.

A estratégia de se desfazer de ativos fora do core business tem como objetivo encontrar as condições para melhorar a performance financeira da siderúrgica, que registrou no primeiro trimestre deste ano o quinto prejuízo líquido consecutivo.

A Usiminas Automotiva está sediada em Pouso Alegre e é fabricante de soluções para a indústria de veículos, como cabines de caminhonetes. A Usiminas Mecânica, por sua vez, é fornecedora para os segmentos de construção civil e de bens de capital.

Retorno baixo

A necessidade de venda de seus braços nesses setores é motivada pelo baixo retorno financeiro, que colabora para reduzir a margem Ebtida da companhia – indicador que aponta a rentabilidade do negócio em relação ao lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização.
No primeiro trimestre, a margem Ebtida do grupo Usiminas foi de 10%. Analistas dizem que o saudável seria em torno de 16%.

No negócio siderurgia da Usiminas, esse indicador ficou em 7%. No segmento de bens de capital, a margem Ebtida foi de 1% e, na transformação do aço, 3%. “Estamos trabalhando duro para recuperar nossa margem operacional com um conjunto de ações que envolve eficiência, produtividade, custos. É gradual, mas teremos uma constante melhoria”, afirmou Eguren.

Sobre as negociações envolvendo os ativos, ele disse que, no caso da Usiminas Automotiva, a intenção é a de fechar o negócio no primeiro semestre deste ano. Ele não detalhou se a operação envolverá a venda de participação, se a Usiminas manterá o controle, ou se vai se desfazer totalmente da empresa.

MMX

Eguren afirmou que a Usiminas poderá cobrar da mineradora MMX, de Eike Batista, parte da multa a que tem direito pelo atraso nas obras do porto Sudeste, que a Usiminas deve utilizar para exportar minério de ferro.

O executivo comentou que busca uma solução amigável, mas que, após a entrada em operação da nova capacidade de produção de minério da empresa, em setembro, o atraso começará a afetar os embarques, o que por enquanto não ocorreu.

A multa é avaliada em R$ 80 milhões. A previsão é a de que, até o fim do ano, a Mineração Usiminas, com minas em Serra Azul, chegue a um ritmo de produção de 12 milhões de toneladas ao ano.

(*) Viajou a convite do Instituto Aço Brasil