A Usiminas encerrou 2015 com um prejuízo de R$ 3,6 bilhões, revelou o balanço financeiro da companhia divulgado nesta quinta-feira (18). Somente no quarto trimestre do ano passado, a fabricante de aços contabilizou perdas de R$ 2,6 bilhões, prejuízo 56% maior do que o do trimestre anterior. O resultado, bem pior do que o mercado projetava, evidencia a situação alarmante da empresa, que vive sob risco de insolvência.

A necessidade de uma injeção de recursos foi debatida ontem em reunião do grupo de Controle e do Conselho de Administração da siderúrgica, mas não houve acordo para um plano de reestruturação da empresa, que inevitavelmente passará por aumento de capital e rolagem de dívidas para evitar a recuperação judicial.

A briga entre os dois principais sócios - o japoneses da Nippon Steel e a os italo-argentinos do grupo Ternium/Techint – é o que trava um acordo. A necessidade seria de R$ 4 bilhões, sendo aproximadamente R$ 1 bilhão ainda para este ano. O “rombo” muito acima do que se previa pode gerar uma revisão desses dados.

A geração de caixa da companhia nos últimos três meses do ano passado foi negativa em R$ 250 milhões. O indicador é uma forma de medir a capacidade da empresa de pagar suas dívidas e o resultado negativo ocorre em um ambiente de aumento do endividamento. A dívida líquida da empresa que no encerramento de 2014 era de R$ 3,8 bilhões saltou 52% chegando a R$ 5,8 bilhões.

Um plano de rolagem de dívidas, com uma espécie de moratória de 180 dias negociada com os credores foi uma das propostas colocadas em discussão na reunião do Grupo de Controle ontem, mas a possibilidade foi rejeitada pela Nippon, detentora de 29,45% do capital social da Usiminas, conforme apurou o Hoje em Dia.

As vendas de aço da Usiminas encerraram 2015 em queda de 11% e as de minério de ferro com retração de 33%. A receita líquida totalizou R$ 10,1 bilhões, um recuo de 13% sobre os R$ 11,7 bilhões de um ano antes.

Deterioração

A Usiminas, pouco antes de divulgar o balanço do quarto trimestre de 2015 e do exercício anual, informou ao mercado que reconheceu redução do valor contábil de ativos, ou seja, impairment, em algumas unidades, no total de R$ 1,6 bilhão no trimestre.
Os valores são relativos à unidade de mineração, de R$ 1,2 bilhão; siderurgia, principalmente nas coquerias de Cubatão, de R$ 357,2 milhões; e na área Transformação do Aço, de R$ 56,7 milhões. O Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, havia antecipado que a companhia poderia realizar no balanço uma baixa de ativos na unidade de mineração.

A briga dos sócios

Em 2012 o grupo argentino Ternium/Techint entrou no grupo do controle da Usiminas e pagou R$ 4,1 bilhões pela fatia de 27,66%. À época cada ação foi comercializada por R$ 36. Um acordo com os japoneses deu ao grupo ítalo-argentino a possibilidade de indicar o presidente-executivo da empresa, e Julian Egúren foi o escolhido.

Ocorre que em setembro de 2014 o indicado foi destituído do cargo. A Nippon Steel alegou que a queda do presidente e de outros dois diretores ocorreu após a constatação por auditorias interna e externa (Delloite e Ernst Young) de que eles teriam recebido mais do que o previsto pela política de remuneração da companhia. Ao serem informados de que teriam sido detectadas “ilegalidades”, os três teriam se reunido com o presidente do Conselho de Administração, admitido o recebimento dos valores e alegado já terem realizado o reembolso.

O caso foi parar na Justiça, e a Ternium alega quebra do Acordo de Acionistas, que lhe garantia o direito de indicar o principal executivo da companhia. Desde então, os dois sócios não conversam mais, e a solução para impedir a derrocada da Usiminas parece distante.