A nova modalidade de financiamento de imóvel, anunciada pela Caixa com a atualização do saldo devedor pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), é vista com cautela pelos especialistas, que temem uma alta da inflação a longo prazo.

A nova linha traz uma taxa de 4,95% do valor financiado mais correção do IPCA e pode chegar a 2,95% para quem tem as melhores relações com o banco, como ter conta na agência e apresentar baixo risco de inadimplência, por exemplo. Os valores serão corrigidos mensalmente, prestação a prestação, conforme o IPCA mais recente, que em julho ficou em 0,19%. No acumulado de 12 meses, o IPCA atingiu 3,22% e, no ano, 2,42%, segundo o IBGE. 

Dessa forma, segundo o presidente da Caixa, Pedro Guimarães, um imóvel de R$ 300 mil, por exemplo, que hoje o comprador começa pagando R$ 3 mil por mês, baixaria, com 4,95% de taxa, para R$ 2 mil. A uma taxa de 2,95%, chegaria a uma redução de 51% na prestação.

"Num primeiro momento pode ser bom, mas não sabemos como vai ser o comportamento da inflação daqui a dez anos. A pessoa deve pensar muito antes de optar. Eu vivi essa fase da grande inflação do Brasil, por isso, tenho um pé atrás com qualquer coisa que envolva taxa de inflação, ainda mais com um prazo tão longo", afirma o consultor de finanças pessoais Paulo Vieira. 

Já a linha de financiamento praticada atualmente traz uma correção de Taxa Referencial (TR) mais 9,75% do valor financiado. Essa porcentagem pode cair até 8,5%, sendo exclusiva para clientes com boas relações com o banco.

Para o presidente da Comissão de Direito Imobiliário da OAB-MG, o advogado Kênio Pereira, essa ainda é a melhor opção. "A TR variando a 0% não interessa aos bancos. Essa mudança atende aos interesses dos banqueiros. É uma medida extremamente empresarial e em nada beneficia o comprador do imóvel. E, no caso de aumento da inflação, vai haver aumento de inadimplência", afirma o advogado Kênio Pereira. 

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Nessa terça-feira (20), durante o anúncio, o presidente da Caixa, Pedro Guimarães, afirmou que a alternativa de financiamento imobiliário representa uma revolução no mercado, com  a redução do custo do crédito e aquecimento da economia. 

O Banco do Brasil foi o primeiro a reagir com anúncio de financiamentos imobiliários com juros diferenciados conforme o prazo de operação. Dessa forma, quanto menor o prazo, menor a taxa de juros."É a reação natural da concorrência. Isso é natural. Quando um faz um movimento, os outros fazem também. Os outros se mexem para não perder cliente. E qualquer movimento do concorrente é bom pra o cliente. Isso abre a possibilidade para opções de mais linha de crédito", afirma Paulo Vieira.

Para o comprador, a orientação é aproveitar essa concorrência, pesquisar e fazer todos os cálculos necessários a curto, médio e longo prazos para saber se a prestação cabe no bolso e tentar prever futuras oscilações das taxas embutidas.

O presidente da Associação dos Mutuários e Moradores de Minas Gerais, Silvio Saldanha, afirma que a opção deve ser sempre pelo financiamento que cobrar menor juro efetivo total. "A pessoa deve dar o máximo de entrada possível e financiar no menor tempo possível", explica. 

As simulações do crédito imobiliário corrigido pelo IPCA ou pela TR podem ser realizadas no site da Caixa. 

Confira o que diz a Caixa:

01. Quem poderá aderir ao novo financiamento?

O público atingido diretamente será a classe média, que normalmente compra a longo prazo. O Minha Casa, Minha Vida deve continuar com o sistema atual. 

02. A partir de quando a nova modalidade vai estar disponível?

A partir de segunda-feira (26). A taxa mínima para imóveis residenciais enquadrados nos Sistema Financeiro de Habitação e no Sistema Financeiro Imobiliário será de IPCA + 2,95% ao ano e a taxa máxima será de IPCA + 4,95% a.a. Os contratos de financiamento habitacional com atualização pelo indexador IPCA seguirão as seguintes condições: prazo máximo de 360 meses e quota máxima de financiamento de 80%.

03. Posso mudar o meu financiamento atual TR para IPCA?

Não. Mas a decisão quanto à aplicação da correção, se pela TR ou pelo IPCA, será do cliente. 

4. Posso migrar de contrato caso a inflação aumente muito? 

Não. Depois que a pessoa adere ao contrato, ela deve permanecer nele. 

05. Quem é correntista da Caixa tem taxas menores?

A nova linha pode chegar a 2,95% para quem tem as melhores relações com o banco, como ter conta na agência e apresentar baixo risco de inadimplência, por exemplo. 

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