Nunca antes na história deste país o comércio sofreu com um tombo tão grande. A abertura célebre, usada pelo então presidente Lula quando o Brasil registrava conquistas inéditas, agora precede recordes negativos na economia.

Com a atividade em marcha a ré, a escalada da inflação e dos juros e a oferta restrita de crédito, as vendas no varejo acumularam queda de 4,3% no ano passado, a maior desde o início da série histórica do IBGE, iniciada em 2001. Em Minas, o recuo em 2015 chegou a 1,9%.

Considerando-se o comércio varejista ampliado, que inclui a venda de veículos e motocicletas e material de construção, o quadro é ainda pior, com queda de 8,6% no país e 7% em Minas.

“Os dados evidenciam a perda do dinamismo da atividade ao longo dos últimos meses e são o retrato do momento econômico do país, com desemprego crescente, menor renda, juros mais altos”, afirma o analista do IBGE em Belo Horizonte, Antonio Braz.

Segundo ele, o setor teve um pico em novembro de 2014, mas, de lá para cá, as vendas caíram em praticamente todos os meses, tanto no Brasil, quanto em Minas. Os resultados para 2015 foram negativos em 26 das 27 unidades da federação. A exceção foi o Amazonas, onde o setor cresceu 6,5%.

No ano, uma das quedas mais expressivas foi sentida pelo setor de móveis e eletrodomésticos, que despencou 14% no Brasil e 13% no Estado. Já a comercialização de automóveis e motos caiu 17,8% e 16%, respectivamente.

“A incerteza em relação ao futuro inibe a compra de bens, principalmente os mais caros, que muitas vezes exigem financiamento”, diz Braz.

O segmento de livros, jornais, revistas e papelaria também sofreu um golpe em 2015, com recuo de 9,5% nas vendas em Minas e 10,9% no país.

Uma das vítimas da crise foi a Livraria Status. Assombrado com o reajuste do aluguel, o proprietário Rubens Batista entregou o antigo ponto, que tinha saídas para a avenida Cristóvão Colombo e para a rua Pernambuco, na Savassi, e mudou-se para um espaço bem mais modesto na vizinhança. Também não deu certo e no mês passado ele fechou definitivamente as portas, conforme mostrou o Hoje em Dia em uma série de matérias sobre as dificuldades enfrentadas pelo comércio na Savassi, uma das regiões mais tradicionais de BH.