A alta acumulada do dólar nos últimos seis meses, da ordem de 16% entre o início de junho e este mês, já mostra seus efeitos sobre o humor do consumidor nos balcões das agências de viagens, com queda de aproximadamente 15% na demanda por pacotes ao exterior.

Nem mesmo os destinos nacionais, que também têm grande demanda no meses de dezembro e janeiro, devem crescer conforme o esperado.

Segundo o presidente da Associação Brasileira de Agência de Viagens de Minas Gerais (Abav-MG), Antônio da Matta, a retração reflete o mau desempenho de todos os setores da economia.

“Em relação ao ano passado, esperávamos um crescimento de 15%, que não houve nem vai haver. O que tinha que ser vendido já foi. Com o aumento do dólar, muitos consumidores migraram para viagens nacionais, mas essa procura deve crescer no máximo 5%”, avalia.

Quem precisa comprar dólares para viajar e não quer se tornar refém das oscilações cambiais deve seguir a orientação dos especialistas e comprar a moeda aos poucos.

“Dessa forma, a pessoa faz a diluição do risco de alta da moeda. Ou seja, mesmo que se pague mais caro em um mês, é possível comprar mais barato no mês seguinte. Assim, o consumidor não fica descapitalizado”, sugere o analista de mercado Paulo Vieira.

 

Alternativas

A aplicação de recursos em fundos que estejam articulados a papéis cambiais também é um alternativa. No entanto, esses fundos nem sempre são reajustados pelo valor do dólar.

“Dentro desse tipo de investimento, os papéis podem ter o valor que o mercado atribui a eles e render menos mesmo que o dólar esteja valorizado”, conclui Vieira.
 

Viagens ao exterior ficam 10% mais caras

Destinos como Punta Cana, Caribe e Cancún têm sido os mais afetados pela alta da moeda americana, segundo agências de viagens de Belo Horizonte. Os preços chegam a ser 10% mais elevados do que o valor praticado pelo mercado no mesmo período do ano passado.

De acordo com a supervisora da Exodus Turismo, Fabiani Carmo, a alta “dói mais” no bolso de quem não fez o planejamento antecipado da viagem.

“Com o encarecimento do dólar, a vontade de viajar não diminuiu, mas quem não se programou acabou ficando mais sensível ao preço. Isso representou uma queda de aproximadamente 20% na demanda esperada”, comenta.

Para o gerente da agência Viagens Master, André Biagioni, os adiamentos são comuns quando o dólar está volátil. “Isso gera uma insegurança quanto a estar fazendo um bom negócio”, comenta.l
 

Passageiros extras em Confins

O Aeroporto de Confins se prepara para um aumento de 5,7% na movimentação de passageiros devido às festas de fim de ano. Conforme a BH Airport, que administra o terminal, a expectativa é que mais 42 mil passageiros, fora os habituais, passem pelo aeroporto entre os dia 15 de dezembro e 6 de janeiro de 2015.

Para atender à demanda, uma força-tarefa está sendo montada, com um reforço de 26% no efetivo.