O detalhamento sobre a quantidade de gás na Bacia do São Francisco, em Minas Gerais, será conhecido a partir do segundo semestre do ano que vem. A afirmação foi feita pela secretária de Desenvolvimento Econômico do Governo do Estado, Dorothea Werneck, na segunda-feira (19), durante o 1º Fórum de Gás Não Convencional (UGas Brazil), realizado na Cidade Administrativa. “No mais tardar no segundo semestre”, diz Dorothea.

Se as expectativas de que há “meia Bolívia” no solo mineiro se confirmarem, a diretora de Gás Natural da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Symone Christine de Santana Araújo, afirma que serão necessários, em média, cinco anos para que a região se estruture para explorar o combustível.


Térmicas a gás

A maneira mais viável de extrair o gás, inicialmente, na avaliação do presidente da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), Djalma Bastos de Morais, seria a construção de usinas térmicas no local. Para erguê-las, ele afirma que fará parcerias com empresas privadas.

A geração de energia a partir do gás extraído dos poços pode contribuir para que a concessionária compense – ou até supere com folga – os problemas enfrentados pela Medida Provisória (MP) 579, convertida posteriormente na Lei 12.783/13, que diz respeito à concessão da renovação antecipada das usinas com vencimento entre 2013 e 2017 por parte do governo, mediante redução das tarifas por parte das empresas.

A Cemig, que tinha 21 usinas com vencimento no período, decidiu pela devolução de 18. A empresa briga na Justiça por outras três: Jaguara, Miranda e São Simão, a maior do grupo. Com a devolução, a companhia perdeu parte da capacidade de geração e, em consequência, de renda.


Tiro certo

A solução parece certeira. Conforme avalia Dorothea, que acumula o cargo de presidente do Comitê Administrativo da estatal, a cada 2,5 milhões de BTU é possível gerar 500 MW. “Com três usinas, é possível gerar o mesmo que São Simão”, comenta.

Para o longo prazo, no entanto, a estimativa é a de que pequenos ramais de distribuição sejam construídos e, futuramente, interligados. “É o formato ideal”, diz Morais. A diretora da ANP afirma, porém, que nos próximos cinco anos não há previsão de construção desses ramais. Para Dorothea, esse tipo de distribuição é eficaz, inclusive para que a indústria eletrointensiva do Estado retome a competitividade.