O ex-governador de Minas Gerais, Eduardo Azeredo (PSDB), foi condenado a 20 anos e 10 meses em regime inicialmente fechado pelos crimes de peculato e lavagem de dinheiro no escândalo que ficou conhecido como mensalão tucano, ocorrido em 1998. A sentença, de primeira instância, foi proferida ontem pela juíza da 9ª Vara Criminal de Minas Gerais, Melissa Pinheiro Costa Lage Giovanardi. Da decisão, cabe recurso, e o tucano pode responder em liberdade.

O ex-presidente do PSDB foi enquadrado sete vezes no crime de peculato (desvio de dinheiro público), o que gerou uma pena de reclusão de 13 anos e quatro meses. A Justiça também condenou o político a sete anos e seis meses por seis crimes de lavagem de dinheiro.

Eduardo Azeredo, em 1998, concorria à reeleição para o governo de Minas na chapa com Clésio Andrade (PFL, hoje Democratas) de vice. A denúncia do Ministério Público Federal (MPF) que culminou na decisão da Justiça ontem, diz que ele foi o principal beneficiário de esquema de desvio de recursos de estatais e “empresas privadas com interesses econômicos perante o Estado de Minas Gerais”.
A reportagem tentou, sem sucesso, contato com o advogado de Azeredo.

José Afonso Bicalho nega desvio de R$ 500 mil ao PSDB

O secretário de Estado da Fazenda de Minas Gerais, José Afonso Bicalho, foi ouvido nessa quarta (16) no Fórum Lafayette, em Belo Horizonte, sobre o processo conhecido como mensalão tucano, que investiga suposto esquema de desvio de verba pública do PSDB para a campanha de Eduardo Azeredo ao governo mineiro, em 1998. No caso de Bicalho, então presidente do Banco do Estado de Minas Gerais (Bemge), as oitivas foram encerradas, restando apenas a definição da sentença pelo Tribunal de Justiça. Mas não há previsão para que isso ocorra.

O todo-poderoso da economia mineira foi ouvido pela Justiça e pelo Ministério Público sobre o pagamento de R$ 500 mil – divididos em cinco cheques de R$ 100 mil – feito pelo Bemge a um evento de ciclismo chamado Iron Biker. Conforme a denúncia, esse dinheiro foi utilizado para abastecer a campanha de Azeredo.

Bicalho, presidente do Bemge entre 1995 e 1998, negou que tivesse conhecimento do pagamento total e ainda que foi o responsável por assinar os cheques. “Fiquei pasmo como afirmaram que o cheque foi assinado por mim. O que houve foi um pedido do governo (assinado pelo então secretário de Comunicação, Eduardo Guedes) que avaliamos que fazia sentido”, justificou.

O plano, segundo Bicalho, era reforçar a marca do Bemge para conseguir vender o banco estatal por elevado preço. Isso incluía patrocínio a clubes de futebol e eventos culturais e esportivos. O secretário de Fazenda reconheceu que autorizou o pagamento de uma das parcelas, mas disse não ter tido conhecimento dos outros R$ 400 mil. “Nem sabia que os cheques foram assinados, achei que seria depósito em conta”, disse.

Bicalho respondeu pelo crime de peculato. O processo envolvendo Azeredo está no mesmo estágio do ex-presidente do Bemge, aguardando sentença. Já os processos de Clésio Andrade e outros seis réus, entre eles Marcos Valério, estão em fases menos avançadas.