A grande revolução para o mercado da educação pode estar perto de acontecer. Pelo menos no que depender das startups que têm se dedicado a buscar soluções integrando tecnologia e as diversas formas de aprendizagem. Dentro programa de desenvolvimento do ecossistema de startups em Minas – o Seed, pelo menos seis equipes – entre as 40 participantes – desenvolvem soluções em educação.

 

São aplicativos voltados para melhorar o desempenho de alunos com o dever de casa, educar crianças por meio de jogos no tablet ou celular, criar ambientes livres de troca de conhecimentos, ensinar idiomas por meio de chats de vídeo e até mesmo preparar surdos e cegos para o mercado de trabalho. 

 

A coordenadora do Seed, Silvana Braga, explica que a aposta no segmento educacional é uma constante no programa, agora na terceira rodada. Tanto que a primeira edição contou com sete startups e a segunda registrou cinco projetos voltados para a área. “Esse é um tema predominante para as startups, pois o sistema educacional, diferente de outras áreas como transporte – onde já temos o Uber, Easy Taxi e o 99Taxis – por exemplo, ainda necessita de uma grande solução para revolucionar o mercado”, avalia.

 

Incentivo
Nas duas primeiras edições do Seed, o Governo do Estado investiu R$ 9,5 milhões. Para a rodada atual, cerca de R$ 5 milhões serão investidos, de acordo com informações da coordenação do projeto. E não falta vontade de oferecer soluções que façam a diferença para a educação formal. O diretor de operações da Timokids, Fernando Padovan, explica que a ideia para o projeto nasceu do próprio cotidiano, quando a sócia e mãe de gêmeos percebeu que os livros infantis estavam perdendo espaço para o tablet no dia a dia dos filhos. 

 

“O que fizemos foi criar um app com histórias e jogos educativos que ajudam os pais a educarem seus filhos abordando temas como bulling e assédio sexual”, explica. Hoje, a ferramenta possui 110 mil usuários em 190 países. Outra boa ideia nascida há cerca de um ano e meio em Belo Horizonte foi a plataforma Cora. Com a proposta de oferecer aprendizagem adaptativa, a ferramenta ajuda alunos na realização do dever de casa com acompanhamento on-line dos pais professores.

 

“Estamos testando os modelos para buscar incentivo e já temos cerca de 1500 usuários em escolas de Belo Horizonte, Recife e Maranhão”, explica o desenvolvedor de interface da Cora, Lincoln Alves. 


Investimentos externo
Até o momento, duas das startups que passaram pelas rodadas do Seed já foram adquiridas por empresas americanas ou foram convidadas para programas de aceleração global no exterior. Segundo a coordenação do programa, empresas parceiras do SEED oferecem, em média, US$ 500 mil em benefícios para as startups aceleradas.

 

Mercado, em crise, quer incorporar soluções rápidas


O ambiente favorável para o desenvolvimento das startups é um dos principais incentivos aos empreededores da educação. Para especialistas, Minas tem hoje fatores que assemelham o Estado ao Vale do Silício, polo de tecnologia americano, situado na Califórnia. 

 

O diretor executivo da consultoria PA Latinoamericana, Allan Pires, explica que boas universidades, investidores dispostos a correr riscos e alianças corporativas são pilares de um ecossistema saudável para o empreendedorismo.

 

 “Uma coisa que nunca terá fim são as necessidades que o mercado demanda. Em um momento de dificuldades econômicas, surgem ainda mais novas necessidades. As empresas grandes têm hoje uma extrema dificuldade de desenvolver soluções rápidas. Uma das melhores maneiras de resolver isso é se associar com uma startup. Isso é bom para todos, o mercado se beneficia disso e soluções são criadas em conjunto”, analisa Pires.

Oportunidades
Foi percebendo a dificuldade de brasileiros no aprendizado do inglês que os amigos Justin, Ethan e Chad criaram a Real Life, uma plataforma onde os usuários aprendem o idioma por meio de chats de vídeo entre falantes de todas as partes do mundo. 
“O grande diferencial é a possibilidade de ampliar as perspectivas de mundo de cada usuário. Hoje temos 200 mil usuários por mês, sendo que 40% deles são brasileiros”, explica Justin Murray.

 

A evolução do projeto tem comprovado que o método está dando certo. No Seed, a startup tem grandes expectativas de encontrar novos investidores. “A educação pode mudar as pessoas e mudar o mundo”, conclui Murray.