O pré-candidato do PDT à Presidencia da República, Ciro Gomes, ainda não jogou a toalha com relação ao apoio do PSB na chapa para o Palácio do Planalto. Na tarde deste sábado (4), durante convenção do Avante em Belo Horizonte, o pedetista se disse "chocado" com a dissolução do diretório mineiro do PSB, medida feita para barrar a candidatura de Márcio Lacerda ao governo do Estado.

O pedetista classificou como "jogada de gabinete" a estratégia do PT de neutralizar o PSB na campanha presidencial e disse que ainda espera um comunicado da legenda para definir o candidato a vice na sua chapa. "Não recebi nem um sinal de fumaça, nem um telex, nem um carbograma do pessoal do PSB com quem eu estava conversando", afirmou. Ele negou estar tendo dificuldade para angariar apoios.

As declarações foram dadas na sede mineira do Avante, partido que anunciou o apoio a Ciro na corrida pelo Planalto. No seu tom habitual, o ex-governador do Ceará disse ter mais de "100 mil razões" para não ser candidato a vice numa chapa do PT. "Eu sou candidato do PDT, homologado. Eu considero, com todo apreço que tenho pelos companheiros, definitivamente o PT não é meu inimigo, mas eles têm feito cada bobagem, que eu só posso crer que eles estão numa viagem lisérgica", declarou. O ácido lisérgico é um elemento químico de ação alucinógena.

Bobagens

Dentre as "bobagens" que o PT fez, na visão de Ciro, a principal é abrir mão da candidatura de Marília Arraes ao governo de Pernambuco. "Em troca de uma omissão de um partido fundamental que é o PSB, você cortar cabeça de uma jovem candidata a governadora de Pernambuco e intrometer-se na política de Minas Gerais. Só quem não conhece Minas Gerais pode acreditar que o povo mineiro vai aceitar esse tipo de alternativa resolvida em gabinete", comentou.

Marília é neta do ex-governador de Pernambuco, Miguel Arraes e atualmente é vereadora em Recife. Nacionalmente, o PT acordou que a parlamentar não se candidataria ao governo do Estado e deixaria caminho livre para a reeleição de Paulo Câmara (PSB). Foi em troca disto que o diretório pessebista mineiro foi dissolvido.

Ciro descartou fazer qualquer tipo de aliança para ser vice numa chapa encabeçada pelo PT. Informado que a presidente do PT, Gleisi Hoffman, ainda o cogitava para o posto, rechaçou a ideia. "O que a Gleice diz de manhã não serve para de tarde. Ela sabe que serei candidato a presidente do Brasil e vou ganhar a eleição.", afirmou.

Ciro também negou estar isolado em Minas Gerais, e disse que apoiará para o governo de Minas o partido que o Avante seguir, mas sinalizou tendência a apoiar o ex-prefeito prefeito de Belo Horizonte. "Posso sair daqui e dar um abraço no Anastasia, de quem sou amigo, no Pimentel, de quem sou amigo há muitos anos, e no Rodrigo Pacheco, que admiro muito. O Marcio Lacerda já resistiu, já recorreu. Nós temos que ter um plano", completou.