No fim de semana em que houve uma corrida aos postos por causa da notícia de estado de greve dos transportadores de combustíveis, conhecidos como tanqueiros, vários estabelecimentos aumentaram o preço da gasolina. Houve até quem encontrasse o combustível por um valor acima de R$ 5. No posto Fernanda, no Vila da Serra, em Nova Lima, por exemplo, o litro estava sendo vendido no domingo (2) a R$ 5,09 - um aumento de 6,25% em relação ao praticado há 15 dias.

O preço médio da gasolina subiu 1,31% nos últimos 15 dias em Belo Horizonte e região, segundo pesquisa realizada neste domingo (2) pelo site de pesquisas Mercado Mineiro. Se na última quinzena a média do litro desse combustível custava R$ 4,677,  agora passou a ser R$ 4,738. 

O valor do diesel, foco principal da greve dos caminhoneiros realizada em maio, passou por uma alta relevante nos últimos 15 dias. O preço médio teve um aumento de 2,80% nos postos de Belo Horizonte - um acréscimo médio de R$ 0,11 no litro, segundo a pesquisa. 

Em alguns postos, o crescimento do diesel foi bem maior do que a média. No posto ALE no Vila da Serra, o litro custava R$ 3,660 e subiu para R$3,915, um aumento de 6,97%. O posto da Petrobras na avenida Amazonas que tinha o preço do diesel a R$3,639 subiu para R$3,889, um aumento de 6,87%.

A única boa notícia em relação aos combustíveis é da continuidade na queda do preço do etanol: o preço médio de R$ 2,813 caiu para R$ 2,781, uma redução de 1,15%.

A pesquisa consultou 25 postos de grande movimentação em Belo Horizonte para verificar o aumento de preços e a disponibilidade de combustíveis diante da notícia de estado de greve dos transportadores. O medo de ficar sem combustível – efeito da greve dos caminhoneiros em maio – fez com que houvesse uma corrida aos postos durante o fim de semana, gerando filas gigantescas.

Estado de greve

O chamado estado de greve é uma situação aprovada pelos trabalhadores, alertando aos governantes que a qualquer momento eles poderão deflagrar uma greve. Mas por enquanto os tanqueiros, que transportam diesel e gasolina, seguem com o abastecimento em todo Estado e em negociação com a BR Distribuidora, com o governo federal e com outras distribuidoras.  

O Sindicato dos Transportadores de Combustíveis e Derivados do Petróleo de Minas Gerais (Sindtanque-MG) quer o cumprimento da Lei do Frete, que instituiu a Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas, e a redução do preço do diesel. Caso não haja acordo nesse sentido, a categoria afirma que vai parar as atividades.

Veja os dados da pesquisa:

mercado mineiro

O site Mercado Mineiro afirma que continuará atualizando a pesquisa de combustíveis durante a semana e o consumidor pode acompanhar a variação de preços e disponibilidade de combustível pelo aplicativo comOferta.

Postos não estavam preparados

O Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo no Estado de Minas Gerais (Minaspetro) se manifestou sobre a corrida aos posto de gasolina no fim de semana por meio de nota publicada em seu site. Segundo o sindicato, a intensa busca por combustível pode, de fato, acelerar a baixa no estoque dos estabelecimentos, “pois, apesar de possuírem estrutura de armazenamento, alguns postos não se prepararam para receber grande demanda em um espaço curto de tempo”.

A reposição dos estoques depende de vários fatores de logística, como refinarias, companhias distribuidoras e transportadores, segundo o Minaspetro. O sindicato diz ainda que está ciente do estado de greve estabelecido pelo Sindicato das Empresas Transportadoras de Combustível e Derivado de Petróleo do Estado de Minas Gerais (Sinditanque-MG); mas não há, até então, informação de dificuldades no abastecimento dos postos em qualquer região de Minas Gerais. O sindicato pede que os revendedores associados avisem caso tenham problemas com abastecimento.

Questionado sobre a motivação da alta dos preços dos combustíveis no fim de semana, o Minaspetro afirma que não é papel do sindicato tratar deste assunto. "Não existe tabelamento no setor, portanto o mercado de combustíveis é livre. Cada empresário define seu preço de venda, que varia de acordo com inúmeros fatores, tais como estratégias comerciais, localização, concorrência, entre outros", afirma nota enviada pelo Minaspetro.  

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