MEI1

Aposta de Maria Luiza nas caixas de café da manhã superou a expectativa e a fez apostar no negócio

Três letras (MEI). E a possibilidade de apostar em novos rumos profissionais em tempos econômicos conturbados. Em meio a vários números preocupantes e impactos da pandemia de Covid-19 nas atividades produtivas, chama a atenção um indicador que caminha no sentido oposto: o de formalização como Microempreendedor Individual em Minas. Enquanto segmentos como o de microempresas (11,92%)  e empresas de pequeno porte (4,36%) registraram queda na abertura de novos estabelecimentos no primeiro semestre, em comparação com o mesmo período do ano passado, no caso dos MEIs, a alta foi de 3,45%. A cada dia, uma média de 570 novos entram no mercado no Estado. O que manteve no azul a estatística de criação de novos negócios no ano.

Casos como o da estudante de administração Maria Luiza Alves Pinto. Que perdeu o trabalho como estagiária em maio e sequer teve tempo para lamentar. Do gosto pela cozinha nasceu a ideia de criar caixas de café da manhã e para presentear em ocasiões especiais. E com uma data à frente que poderia trazer o embalo necessário: o Dia das Mães. Foi exatamente o que aconteceu. "Eu não podia ficar sem fazer nada. De repente, tive de me reinventar. Sempre gostei de presentear os amigos de um jeito carinhoso, com um bolo, ou doce, daí veio o nome (Caixa Afeto). E me preparei para oferecer 20 caixas. Se conseguisse vender, estava no lucro. Tive de fazer 50. Fiquei atolada de trabalho, mas deu certo. Acabou sendo uma conquista na pandemia", conta.

Ela faz questão de incentivar outros pequenos negócios na escolha dos produtos que compõem as caixas. E tem a sorte de usar o que aprende na faculdade para desenvolver o negócio do modo correto. "Virei até estudo de caso em algumas disciplinas. É bom que os professores me ajudam com dicas importantes". Depois do sucesso na primeira empreitada, ela se dedicou aos detalhes para não perder a oportunidade. "Aí fui trabalhar as redes sociais, produzir fotos interessantes, pensar em novos produtos e ingredientes". E ainda que os estudos sigam adiante, carteira assinada não é algo no horizonte. "Espero seguir assim para todo o sempre. Pesando os prós e os contras, vale a pena. Eu sei, por exemplo, que vou trabalhar dobrado nas datas festivas, mas posso me programar para isso".

Necessidade
A necessidade se mostra o principal motivo para a busca pela formalização como MEI e a aposta num negócio próprio, como destaca o superintendente do Sebrae em Minas, Afonso Rocha. “Tanto as pessoas que perderam seus empregos em razão da pandemia podem estar buscando novas fontes de trabalho e renda, quanto empresários já estabelecidos podem ter optado em se reenquadrar como MEI, para ajustar os negócios a uma nova realidade”, avalia.

 

Emprego trocado pelo papel

de prestador de serviços

Num dia, empregado. No seguinte, demitido. E, no terceiro, chamado pela mesma empresa a atuar como prestador de serviços. Assim começou a trajetória de empreendedor de Stenyo Tas Costa. O consultor de TI viu, no novo arranjo, a chance de finalmente ter o próprio negócio, com um primeiro cliente mais do que conhecido. E a possibilidade de ampliar o portfólio.

"Sempre foi um sonho que eu tive. A pandemia já tinha impactado os ganhos, minha jornada havia sido reduzida, e veio a dispensa. Por sorte a empresa entendeu que precisava de mim e me chamou. Hoje consigo atendê-la e ter tempo para outros clientes. Acabou sendo um divisor de águas", diz.
 

Qualificação
Consciente de que não basta contar com as próprias competências para fazer o nehócio vingar, Stenyo foi em busca de orientação no Sebrae. "É importante você ter o caminho das pedras, para não dar passos errados. Todo esse material está disponível de forma gratuita". Mais do que isso, aproveitou para se qualificar também em sua área de especialidade. "Fiz cursos de ciência de dados, business intelligence, marketing e aprendi novas linguagens de programação. Hoje posso oferecer mais serviços e competências".

MEI2

Stenyo passou a oferecer seus serviços para a empresa em que trabalhava

 

Além disso

O setor de serviços foi o que registrou o maior número de formalizações entre janeiro e agosto deste ano, com um total de 61.384 novos MEI. O comércio ficou em segundo lugar (35.149), seguido da Indústria (25.086) e da Construção Civil (13.912). As atividades com o maior número de registros são as de cabeleireiros, manicure e pedicure (8.788) e comércio varejista de artigos de vestuário e acessórios (6.786).
Nesta semana, o Sebrae promove mais uma série de lives de seu programa Sebrae Responde, com foco nas finanças para o MEI. No dia 15, às 11h, a live “MEI: sua empresa traz resultados financeiros?” vai mostrar ferramentas de gestão e planjamento que ajudam a precificar serviços e produtos. Dia 19, no mesmo horário, é a vez do tema “É fácil ou difícil para o MEI ter acesso a crédito?, mostrando as opções disponíveis e como buscá-las. As lives serão transmitidas no www.sebrae.com.br/minasgerais.