Dois dias após governadores do Nordeste se reunirem para debater um novo modelo de reforma da Previdência, em uma crítica à proposta do governo federal, os governadores do Sul e do Sudeste decidiram fazer o movimento oposto. Em encontro na tarde deste sábado (16), na Cidade Administrativa, chefes do Executivo de sete estados, entre eles o governador de Minas Romeu Zema (Novo), acertaram a criação do Consórcio de Integração Sul e Sudeste (Cosud). A organização vai trabalhar para apoiar "incondicionalmente", segundo Zema, a reforma da Previdência do governo Jair Bolsonaro (PSL), além de propor um pacto de ajuda mútua entre os estados em dez áreas estratégicas.

Além de Romeu Zema, aderiram ao Cosud os governadores do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB); do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC); do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB); de Santa Catarina, Carlos Moisés (PSL); do Paraná, Ratinho Júnior (PSD); e de São Paulo, João Dória (PSDB). Apenas o chefe do Executivo do Paraná não participou da reunião na Cidade Administrativa por impossibilidade de agendas.

"Apoiamos incondicionalmente o presidente Bolsonaro na missão de realizar a reforma da Previdência. Porque se não tivermos posição de certo sacrifício, estaremos condenando o Brasil", disse Zema. 

Apenas o governador do Espírito Santo, Renato Casagrande, fez ressalvas a alguns pontos polêmicos da reforma, como a criação do regime de capitalização complementar e o novo modelo de aposentadoria rural. "Sou favorável à reforma da Previdência, mas há pontos que quero discutir mais, com o regime de capitalização, o Benefício de Prestação Continuada (BPC) e a questão da aposentadoria rural. Acredito que precisamos de um debate mais profundo", disse Casagrande.

Segundo o governador de São Paulo João Dória, a ideia do Cosud é propiciar aos chefes do Executivo de cada Estado a abertura do diálogo em Brasília com os partidos coligados, fazendo lobby com os deputados e senadores, inclusive os indecisos, para aprovar a íntegra do modelo previdenciário proposto pelo governo Bolsonaro.

"Vamos falar com os partidos, conversar com os parlamentares, sensibilizar o tema para acertamos a aprovação de uma reforma mais do que necessária para o país. Não podemos esperar mais", disse Dória. A próxima reunião do Cosud, que irá determinar as primeiras metas do grupo, será realizada em São Paulo, no dia 27 de abril.

Na última quinta-feira (14), governadores de nove estados do Nordeste se reuniram no Maranhão e assinaram um documento de criação do Consórcio Interestadual de Desenvolvimento Sustentável do Nordeste (Consórcio Nordeste). Entre diversas pautas de fortalecimento econômico, os governadores também fizeram uma série de críticas à reforma da Previdência encaminhada ao Congresso por Bolsonaro. O governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), disse que os demais governadores da região vão dialogar com deputados e senadores para tentar uma revisão de alguns pontos propostos pela equipe econômica do ministro Paulo Guedes. 

PARCERIAS

Além de um trabalho focado na aprovação da reforma da Previdência, a outra meta do Cosud é promover um pacto entre os estados nas áreas de segurança, educação, saúde, turismo, sistema prisional, logística e transporte, combate ao contrabando, desburocratização, desenvolvimento econômico e tecnologia e inovação.

"É uma forma de aproveitar as familiaridades entre estados que estão em uma situação financeira difícil e precisam se recuperar. Abrimos a chance de possibilidades de trocas turísticas e de incentivos fiscais, que hoje acabam promovendo uma guerra entre os estados", disse o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite.

Questionado se o Cosud seria uma resposta à organização dos nove governadores do Nordeste, que fazem oposição declarada ao governo Bolsonaro, o governador do Rio Grande do Sul disse que "não há concorrência ou competição" entre os chefes do Executivo e que o Cosud. "Não é uma resposta, é um fortalecimento para os estados", completou.

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