Condenada por envolvimento no esquema do mensalão do PT, a ex-banqueira Kátia Rabello, presidente do extinto Banco Rural, conquistou o direito de trabalhar fora da prisão, em regime semiaberto.

De acordo com o advogado dela, criminalista Maurício Campos, Kátia vai coordenar a escola de dança clássica Primeiro Ato, de Belo Horizonte, onde irá atuar de segunda a sexta-feira, de manhã e de tarde, e no sábado, somente durante a parte da manhã.

Ex-bailarina, ela vai começar a trabalhar a partir da próxima semana e receberá um salário mensal de cerca de R$ 2 mil, conforme informação do defensor dela.

Com a progressão de regime, Kátia vai passar os dias fora do cárcere, mas será obrigada a pernoitar na cadeia.
Na semana passada, a ex-presidente do Rural deixou a prisão para a saída temporária de Natal. O benefício de progressão de regime tem vinculação com o pagamento parcelado da multa de R$ 2,4 milhões imposta pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Campos, no entanto, declarou que vai recorrer do pagamento da multa pois, segundo ele, Kátia não tem condições financeiras para continuar bancando a multa. Familiares efetuaram o pagamento.

O advogado lembra que a Justiça em Belo Horizonte decretou o bloqueio de bens dos antigos gestores do Rural no montante de R$ 1,2 bilhão, conforme o Hoje em Dia revelou, com exclusividade, em julho deste ano.

Os promotores de Justiça investigam “má gestão e outros vários ilícitos financeiros”, cometidos pela instituição financeira antes de ser liquidada em 2013.

No despacho, a Justiça de BH associa o rombo bilionário ao que denominou de “desaparecimento patrimonial do banco”, provocado supostamente por operações de alto risco, gastos suspeitos e pagamentos de honorários de advogados que atuaram no processo do mensalão.

Kátia foi condenada, em 2012, a 14 anos de prisão por três crimes.