Durante videoconferência realizada na manhã desta quarta-feira (25) com o presidente Jair Bolsonaro e governadores dos estados do Sudeste,  Romeu Zema reafirmou a importância de adotar medidas de prevenção contra a pandemia do novo coronavírus. Na noite anterior, o presidente fez um pronunciamento à nação em que pediu fim do isolamento social e a reabertura do comércio.

Na última sexta-feira (20), Zema anunciou o decreto de calamidade pública e restrições ao comércio, transporte e educação em Minas Gerais.

“Quero lembrar que em Minas Gerais nós estamos adotando as melhores práticas, aquelas recomendadas pela Organização Mundial da Saúde e já adotadas em países desenvolvidos. Queremos, em primeiro lugar, a preservação da vida”, disse o governador nesta quarta.

O governador, porém, compartilhou com o presidente a preocupação sobre a recessão econômica oriunda do isolamento social. Zema apresentou algumas demandas ao governo federal que poderiam ajudar o Estado a passar por este momento de instabilidade econômica.

O governador disse na reunião que há uma perspectiva de que haja uma queda na arrecadação de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) de R$ 7,5 bilhões, o que vai piorar a situação do Estado. Zema recomendou a antecipação dos recursos da Lei Kandir e o envio ao Congresso do projeto Mansueto, que vai ajudar Estados endividados.

Propôs ainda a suspensão do pagamento da dívida dos Estados com a União, a manutenção dos repasses do Fundo de Participação dos Estados e a ampliação dos investimentos na saúde para o enfrentamento ao coronavírus.

Nesta tarde, Zema participa de outra reunião virtual, dessa vez com os governadores de todos as unidades federativas. A intenção é que os líderes regionais tomem decisões de combate à pandemia de novo coronavírus sem a interferência do presidente Bolsonaro, que nesta terça-feira (24) apresentou um discurso bem diferente da recomendação que médicos de todo o mundo têm feito. 

Discussão

A reunião entre Bolsonaro e os governadores foi marcada, na verdade, por uma grande discussão com João Dória, de São Paulo. O governador lamentou o pronunciamento de terça-feira e disse que Bolsonaro deveria dar um exemplo de líder durante a crise.

Nervoso, Bolsonaro rebateu a crítica, dizendo que Dória se elegeu apoderando-se de seu nome e depois deu as costas para o Governo Federal. “Subiu à sua cabeça a possibilidade de ser presidente da República. Não tem responsabilidade. Não tem altura para criticar o governo federal, que fez completamente diferente o que outros fizeram no passado", disse o presidente. 

Leia mais:
Menino de 10 anos não morreu por Covid-19, diz prefeitura de Betim
Covid-19 não interrompe luto pelas mortes de Brumadinho; homenagem é transmitida pela internet