O mercado de automóveis tem vivido dias conturbados em 2021. Basta conferir o desempenho nos emplacamentos. Em setembro, o licenciamento de automóveis e comerciais leves caiu 10,2% em relação a agosto. Mas se comparado com setembro passado, ano em que a indústria ficou parada por conta da pandemia do Covid-19, a queda foi de 28,4%, segundo a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave).

Em números setembro anotou 142.354 veículos emplacados, enquanto o mês anterior registrou 158.501. No mesmo período de 2020, foram quase 200 mil licenciamentos. 

As razões pela queda de vendas não são novidade para ninguém. A indústria sofre com o desabastecimento de insumos. Além dos semicondutores, produtos químicos, como adesivos e até metais. Desde a segunda-feira (4), 1.800 funcionários da unidade da Stellantis, em Betim, na região metropolitana de Belo Horizonte, tiveram seus contratos suspensos por 90 dias. Assim, a fábrica interrompeu o terceiro turno por falta de peças.

O grupo foi um dos poucos que conseguiu driblar a falta de peças no primeiro semestre, mas a lata esvaziou na dispensa. Antes da fábrica da Fiat, General Motors, Renault, Honda, Hyundai e Volkswagen tiveram queda de produção. E se não bastasse, metalúrgicos da GM, que trabalham na fábrica de São Caetano do Sul (SP), estão em greve desde o dia 1º de outubro. 

Sindicato e montadora não chegaram a um acordo sobre reposições salariais. O imbróglio gerou nova parada na linha do SUV Chevrolet Tracker e do monovolume Spin. A greve acontece logo após a montadora ter anunciado a duplicação da produção do utilitário compacto.

Expectativas

Com o cenário tão conturbado, a Fenabrave alterou suas projeções para o ano pela segunda vez. Em janeiro, a estimativa era de que o ano fechasse com 2,25 milhões de carros de passeio e comerciais leves emplacados. 

Com a falta de componentes, a entidade reviu a planilha e, em julho, baixou de 15,8% de crescimento (sobre 2020) para 13,6%. Em unidades, correspondeu a uma perda de quase 100 mil carros.

Agora o otimismo é ainda menor e a projeção de crescimento encolheu para 11,1%, que corresponde a 2 milhões de unidades. Lembrando que 2020 já tinha sido o pior período da década.

“Estamos diante de muitas incertezas e da maior crise de abastecimento de veículos já vivida nos últimos anos. Isso nos fez reduzir as expectativas de crescimento para o ano, infelizmente”, alerta o presidente da Fenabrave, Alarico Assumpção Júnior.

Líder de vendas

Na liderança do mercado, a Fiat mantém a primeira posição com 22,8% de participação. Ela é seguida pela Volkswagen, que anota 15,4%. A GM segue na terceira colocação com 10,9%, enquanto Hyundai se firmou na quarta posição com 9,5% e a Toyota fecha o “clube dos cinco”, com 8,6% do mercado.

Entre os modelos com melhor desempenho, o Hyundai HB20 desbancou a Fiat Strada e fechou o mês com 7.147 unidades licenciadas e se firmou como o carro de passeio mais vendido em 2021, com 67.146 carros. 

O segundo modelo mais vendido foi a Fiat Toro com 6.852 emplacamentos, seguido do Jeep Compass 6.823. A Strada aparece na quarta posição com 5.772 unidades e o Volkswagen T-Cross completa o “Top 5”, com 5.733.

No acumulado do ano, a Strada lidera como veículo de maior volume, com 85.384 unidades licenciadas. Mas a queda de vendas em setembro já era um indicativo de que o volume de insumos já estava escasso em Betim.