Em meio à crise econômica, que fez 13,4 milhões de desempregados até março, a quantidade de Microempreendedores Individuais (MEI) mineiros saltou 21,6% nos últimos 12 meses. Somente no primeiro trimestre deste ano, aproximadamente 50 mil homens e mulheres aderiram ao modelo de negócio, que acumula quase um milhão de formalizações no Estado. 

O motivo é simples. Sem trabalho, as pessoas buscam alternativas e tendem a oficializar algo que já faziam para ganhar dinheiro, transformando o “bico” em rendimento primário. Especialistas alertam, no entanto, sobre a importância de estudar o mercado antes de se aventurar no empreendedorismo.

“Muita gente que perdeu o emprego ficou um tempo na informalidade e acabou virando MEI, pois é uma forma de voltar ao mercado de trabalho. Mas esse tipo de negócio tem as mesmas responsabilidades das grandes empresas. É necessário ficar atento”, afirma a analista do Sebrae- MG, Viviane Soares. 

O modelo de negócio é financeiramente viável. Isentos de pagar impostos federais, os MEIs arcam com o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) em caso de indústria, comércio e prestadores de serviços de transportes. Quem presta qualquer tipo de serviço deve pagar R$ 5 de ISS. Há, ainda, a cobrança de 5% sobre o salário mínimo a título de INSS. “O MEI trouxe alívio porque formaliza pequenos negócios. É uma forma de a pessoa ter benefícios trabalhistas, como INSS, e mais segurança. É, ainda, uma forma de a pessoa testar uma ideia”, afirma a analista. 

O microempreendedor individual Davidson Castro é exemplo de quem apostou as fichas no MEI e não se arrependeu. Em agosto do ano passado, ele, que atuava como eletricista de veículos a diesel, perdeu o emprego. Apaixonado pela gastronomia, Castro desenvolveu dez receitas de pudins, especialidade gastronômica dele, e formalizou a Pé de Pudim.  “Eu já cozinhava algumas coisas antes para aumentar a renda, mas não era meu rendimento principal. Hoje, nossa casa gira em torno da empresa. Minha esposa cuida do administrativo e da divulgação e eu faço os pudins”, conta.

Mais clientes

Ao formalizar a empresa, ele diz que conseguiu clientes mais fiéis e já pensa em expandir mercado. Com o CNPJ e a possibilidade de emitir nota fiscal, o microempreendedor pretende deixar os doces em restaurantes e outros estabelecimentos para atingir um número maior de clientes. 
No futuro, Davidson pretende até contratar. Vale ressaltar que as micro e pequenas empresas (MPE) respondem por mais da metade da geração de empregos do país. 

Tendência

Na avaliação do coordenador do curso de Economia do Ibmec, Márcio Salvato, a abertura de MEIs é uma tendência em meio à crise. No médio prazo, no entanto, ele prevê que muitas empresas fechem as portas devido à falta de planejamento. “Muita gente adere ao MEI para voltar ao mercado de trabalho, mas não consegue se manter porque não tem espírito empreendedor”, pondera.

 

Para ter sucesso, é preciso estudar e fugir do ‘mais do mesmo’

Antes de se lançar no mercado, o microempreendedor individual deve estudar a fundo o negócio e o segmento que pretende formalizar. Além disso, ter uma relação pessoal com o segmento é fundamental para o sucesso. 

“Não adianta fazer mais do mesmo. Tem que surpreender e ter um diferencial. O que a pessoa gosta de fazer? Isso tem que ser levado em consideração. Não é porque o vizinho abriu um negócio que o mesmo daria certo para ela. O vizinho tem contexto de vida diferente e aptidões diferentes”, pondera a analista do Sebrae-MG Viviane Soares.

Ela destaca que o proprietário de uma empresa deve saber como colocar preços nos produtos, gerenciar o negócio, lidar com o financeiro e, principalmente, estar atento às expectativas dos clientes.  Estudar áreas afins também é importante para que a empresa se sustente no mercado. Para isso, ela sugere um curso básico de administração de negócios. 

Na prática

O proprietário do Pé de Pudim, loja que comercializa mais de dez sabores diferentes de pudim, Davidson Castro, fez vários cursos para melhorar a aceitação do mercado pelos produtos que ele comercializa. A estratégia funcionou. 

“Fiz gestão de negócios, consultoria com o Sebrae, cursos sobre como ser MEI na prática, entre outros. Aprendi até como melhorar a minha identidade visual. Minhas expectativas de crescimento agora são bem mais altas”, diz. 

O coordenador do curso de Economia do Ibmec, Márcio Salvato, ressalta que alguns tipos de negócios têm sido recorrentes, mas com vida útil curta. Entre eles, os food trucks, as paletas mexicanas e as casas de bolo. 
“Para sobreviver no mercado, em crise e altamente competitivo, é necessário se destacar”, alerta Márcio Salvato.