Eles são empreendedores, não se apegam a marcas, são mais ligados a causas do que aos lucros e querem fazer aquilo que lhes dá prazer, fugindo dos estereótipos de sucesso, como os tão concorridos concursos públicos. Chamados de Geração Z, os nascidos entre 1995 e 2010, que têm entre 18 e 24 anos, respondem por grande parte dos consumidores atualmente, chegando à marca de 23,9 milhões de brasileiros. E não consomem de qualquer um. Vidrados em tecnologia, compram de contemporâneos, principalmente por meio das redes sociais.

A empresária Pâmela Araújo, de 23 anos, abandonou em 2017 a gerência de uma loja num shopping e abriu, junto com o namorado, Naiguel Eric, a hamburgueria artesanal Excaliburger, no bairro Santa Inês. Mas o principal parceiro do negócio é a internet. “Usamos aplicativos de vendas e as redes sociais para alavancar os negócios. Dependendo da hora que fazemos a postagem, as vendas aumentam significativamente”, afirma.

E o empreendimento tem dado certo. Desde o ano passado, o faturamento aumentou 30%. Os números são tão promissores que Pâmela e Naiguel já se preparam para abrir uma nova marca, o Eric’s, hamburgueria. “Ter o meu negócio próprio e conseguir sobreviver dele é o que eu chamo de sucesso”, afirma Pâmela. Ela representa bem a geração Z. Levantamento realizado pelo Google Consumer Survey aponta que 33,2% dos jovens de 18 a 24 anos classificam como “sucesso” ter o próprio negócio.

Identidade

Quem também se identifica com a pesquisa é Alexandra França, de 19 anos. Recentemente, ela usou parte do dinheiro que recebeu de herança para abrir uma loja de artigos femininos no Buritis. O ponto é uma extensão da loja no Instagram. “Acredito que muita gente venha à loja após ver o Instagram, mas as redes sociais são o nosso forte”, diz a empresária. 

geração Z

Alexandra França, de 19 anos, abriu uma loja de roupas após sucesso no Instagram

 

Estudante de fotografia e apaixonada por maquiagem, Alexandra não se vê trabalhando com outra coisa. “Eu vou fazer o que eu gosto e acredito que terei muito êxito justamente por causa disso. Não é que eu não goste de estudar, mas não me imagino fazendo um concurso público, por exemplo. O mundo coloca em você responsabilidades que você não precisa carregar”, afirma.

Especialista em geração Z, a analista de relacionamento da Fecomércio Aline Grazielle explica que os nascidos entre 1995 e 2010 têm visões de mundo bastante diferentes. “Nossos pais perguntavam o que nós queríamos ser, qual profissão gostaríamos de seguir. Pensávamos nas profissões mais tradicionais. Hoje, não. A geração Z está muito voltada para o empreendedorismo. É uma geração que quer trabalhar para si mesma com foco naquilo que o jovem sabe fazer”, afirma. 


Nascidos a partir de 1995 querem horários flexíveis, viajar e ser seguidos nas redes sociais

Muito afastados das profissões tradicionais, a geração Z quer viajar, ter o próprio negócio e fazer os próprios horários. E nenhum trabalho ilustra melhor essas características do que ser um digital influencer, ou seja, alguém a ser seguido nas redes sociais. 

A digital influencer Izabelle Resende que o diga. Com 24 anos e 31,1 mil seguidores no Instagram, a renda dela na rede social é maior do que o salário recebido com carteira assinada. “Quero trabalhar só com isso no futuro”, prevê. No Instagram, faz propaganda de quase tudo. Roupas, procedimentos estéticos, maquiagens, hotéis, pousadas e até comida. Em alguns casos, troca a divulgação por permuta. Em outros, recebe em dinheiro mesmo.

geração Z

Izabelle Resende, 24, ganha mais na rede social do que no emprego formal 

 

Izabelle aborda exatamente o que as pessoas da geração dela querem ver. Conforme levantamento do Google, família, futuro e diversão estão entre os principais assuntos procurados pelos jovens que se lançam nas redes. Mas não basta se aventurar no mercado. Para melhorar o rendimento, Izabelle estuda Publicidade e Propaganda e Jornalismo. 

Profissionalização

Proprietária do Excaliburger, Pâmela Araújo também investe pesado na profissionalização da sociedade com o namorado. “Fiz vários cursos de gestão financeira, enquanto meu namorado focou em cursos de produção alimentícia. Não dá para ser amador”, ressalta. 

A especialista em geração Z e analista da Fecomércio, Aline Grazielle, concorda. “Empreendedorismo tem que ser tratado de forma séria. Quando você pensa em grandes nomes de negócio, são pessoas que analisaram o risco e fizeram de tudo para reduzi-lo”. 

O profissionalismo da gestão é a pitada que falta à ousadia natural da geração. “A ousadia desses empreendedores é característica muito forte. Eles não se deixam dominar pela insegurança, então, não têm medo de se descobrir. Quando o negócio não dá certo, partem para outro”, diz.