Envolvido em duas das principais investigações da Polícia Federal em andamento atualmente – Acrônimo e “Lava Jato” – e até mesmo denunciado pelo Ministério Público Federal em julho, o empresário Benedito Rodrigues Oliveira Neto, o Bené, continua engordando as contas bancárias com dinheiro público. A Gráfica Brasil, empresa criada por Bené e transferida a familiares, recebeu R$ 24 milhões do governo federal apenas neste ano. Levantamento feito pelo Hoje em Dia por meio do Portal da Transparência revela que, desse total, R$ 17,8 milhões foram pagos pelo Ministério da Saúde. Entre as principais despesas, estão a impressão e a entrega de materiais gráficos dos programas “Apoio à Implementação da Rede Cegonha” e “Implementa-ção de Políticas de Atenção à Saúde da Pessoa Idosa”. Para o primeiro, foram desembolsados R$ 8,5 milhões apenas em pagamentos neste ano.

Por meio de nota, a assessoria do Ministério da Saúde admitiu que tem contrato em vigência com a Gráfica Brasil para produção e distribuição de materiais gráficos “das diferentes áreas da pasta”. Em 2013, o ministério gastou R$ 19 milhões e, em 2014, R$ 23,1 milhões.

“Entre os materiais mais recentes impressos, encadernados e distribuídos estão publicações utilizadas nos serviços de saúde, como as cadernetas de gestantes e de saúde da pessoa idosa”, afirma trecho da explicação. A pasta justificou a manutenção dos pagamentos ao dizer que “não teve acesso ao conteúdo da suposta investigação”.

UFJF

Os R$ 6,2 milhões restantes pagos à empresa da família de Bené em 2015 tiveram como origem o Ministério da Educação. Desse total, cerca de R$ 5 milhões saíram dos cofres da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) para “serviços gráficos diversos”.

A assessoria do ministério informou que apenas repassa a verba à universidade e não tem qualquer ingerência na aplicação do dinheiro. A UFJF, por sua vez, afirmou que o contrato em vigência chegou a ser questionado por concorrentes derrotados, mas foi aprovado pelo Tribunal de Contas da União.

“Os pagamentos feitos pela UFJF, com base em seu próprio contrato, eram obrigatórios em razão de os serviços serem prestados com a conformidade dos procedimentos julgados regulares”, disse Nilson Leão, da assessoria administrativa da reitoria.

Investigações
 
Em julho deste ano, o Ministério Público Federal denunciou Bené e outras oito pessoas – das quais sete ex-funcionários do Ministério das Cidades – por crimes de peculato e fraude em licitações da pasta.

Desde o ano passado, o empresário é investigado pela Acrônimo, operação da PF que apura irregularidades de campanha e suposto envolvimento do governador Fernando Pimentel (PT) em recebimento de propina. No TCU, ao menos cinco contratos com empresas do Bené, entre as quais a Gráfica Brasil, foram questionados.

Mesmo com essas investigações e indícios, a editora recebeu ao menos R$ 6,7 milhões após julho, quando Bené foi denunciado pelo MP. A Petrobras, por exemplo, decidiu suspender contratos (entre os quais, com Ecoglobal e Schahin) depois de revelações da “Lava Jato”.

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