A decisão do prefeito Alexandre Kalil de voltar à fase zero na flexibilização do comércio em Belo Horizonte foi duramente criticada por entidades representativas de lojistas e de bares e restaurantes da capital. Devido ao aumento do número de casos de Covid-19, a partir de segunda-feira só estarão liberados os serviços considerados essenciais. As demais lojas já autorizadas para reabertura terão que fechar as portas novamente. Comerciantes temem aceleração do fechamento de negócios e o aumento do desemprego.

Segundo o presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), Paulo Solmucci, a gestão de BH para a retomada do comércio é “uma das piores do mundo”.

“Trocaram o caminho da sensibilização e divulgação de boas práticas, que garantiram o sucesso mundo afora, e apostaram em espalhar o medo e ameaças. Não podia dar certo. Este erro estratégico se somou à absurda decisão de delegar à equipe médica a gestão da retomada do comércio”, enfatizou.

Solmucci afirmou que nenhuma outra cidade no mundo manteve bares e restaurantes fechados por mais tempo do que BH. “Levamos mais de 100 anos para sermos a capital mundial dos botecos e a cidade criativa da gastronomia pela Unesco, mas em 100 dias de gestão errática, destruíram tudo”, criticou, lembrando que a PBH fez vista grossa ao comércio da periferia, que continuou abrindo as portas, e permitiu a também o funcionamento de shoppings populares, o que trouxe o caos.

“Salvam-se vidas, mas muitos empregos acabarão. Nós teremos muitos problemas psicológicos e famílias sem recursos até para a comida”, afirmou o presidente do Sindicato dos Lojistas de Belo Horizonte (Sindilojas-BH), Nadim Donato. Ele avalia que foi uma decisão técnica para evitar mais mortes, mas que muitas empresas não vão sobreviver.

“Segunda-feira são 100 dias de fechamento e agora retornamos ao zero. O próprio setor de vestuário não estava aguentando mais”, disse, acrescentando que na segunda-feira retoma o diálogo com a PBH para tentar prorrogar por mais três meses o pagamento do IPTU e de outros impostos, além de reabrir as negociações para encontrar outra forma para a retomada das atividades. 

Donato cobra também recursos do Pronampe ( Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte) para os lojistas e a sanção urgente pelo presidente Jair Bolsonaro do projeto aprovado no Senado que prorroga a suspensão de contratos e corte de salários de funcionários.

A CDL/BH, por sua vez, entende que a discussão não pode se restringir simplesmente à abertura ou não do comércio. A entidade diz ter feito várias sugestões à PBH, mas que não teve êxito até agora. “Todas as decisões tomadas nas últimas três semanas foram de única e exclusiva responsabilidade do prefeito. As entidades participantes – CDL/BH, Sindilojas, Fiemg e Abrasel – não foram consultadas. Pelo contrário, foram solenemente ignoradas”, criticou, em nota.

A Federação do Comércio de Minas Gerais (Fecomércio-MG) também recebeu com preocupação a notícia do retorno à fase zero, por entender que milhares de empresas, que foram autorizadas a funcionar nas fases 1 e 2, ainda não conseguiram se recuperar financeiramente e lutam para manter o funcionamento e a continuidade de suas atividades. 

A entidade avalia que o cenário se agrava diante da dificuldade de acesso ao crédito pelos empresários e as obrigações tributárias, que também precisam ser prorrogadas para que a continuidade de milhares de empresas seja viável. De acordo com a Fecomércio- MG, a regressão de fase de reabertura das atividades causa nos empresários temor de aceleração no índice de desemprego na cidade.

Segundo dados do Caged, BH perdeu mais de 20 mil postos de trabalho formais. Essas demissões somadas as perdas em Minas Gerais chegam a 88.298 vagas extintas em maio