A CPI da Câmara dos Deputados que investiga a máfia das órteses e próteses ouviu nesta quarta-feira (1) um investigado e três testemunhas. Miguel Iskin, dono da Oscar Iskin, uma das empresas citadas na matéria exibida pelo Fantástico e que ensejou a investigação, estava convocado para ser ouvido hoje, mas ontem (30) conseguiu, pela terceira vez, evitar o depoimento, alegando que não teve acesso à documentação da comissão.
 
Ouvido hoje como investigado, Fernando Strehl, administrador da Strehl, alegou que a conversa gravada pela reportagem do Fantástico, na qual ele confirma a prática de pagar propina a médicos para que eles indiquem seus produtos, era uma “conversa de botequim”.
 
“Quando o jornalista se apresentou como médico, chegou pra mim com uma proposta de ganhar dinheiro. E só falava disso. Logo percebi que ele recém- formado. Vi que ele estava falando asneira e comecei a falar asneira com ele”, esclareceu Strehl.
 
O executivo negou ter participado de licitações fraudulentas e disse também que não foi beneficiado por liminares na justiça de Santa Catarina, estado onde atua.
 
Segundo a denúncia, o esquema começa quando o paciente, depois de esperar pela cirurgia da rede pública, vai para uma consulta, na qual o médico indica um advogado que, com orçamentos falsos e procedimentos superfaturados, entra na Justiça pedindo liminar para obrigar o governo a pagar o procedimento.
 
Também foram ouvidos como testemunhas Maria Laura Galainena (Boston Scientific do Brasil Ltda), Gabriel Anselmo (Biocath Comércio de Produtos Hospitalares Ltda) e Alexandre Fontelles (Litormed Comercio de Produtos Medicos Ltda).
 
A maioria das testemunhas ouvidas ontem e hoje pela CPI negou o pagamento de propina a médicos ou hospitais e afirmou ter programas internos para evitar esse tipo de prática.
 
O presidente da CPI, deputado Geraldo Rezende (PMDB-MS), pediu ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), prorrogação do prazo para tentar ouvir mais investigados e testemunhas. A previsão para leitura do relatório é 8 de julho. O prazo para o fim da CPI é dia 17.
 
Relator da CPI, o deputado André Fufuca ( PEN-MA) informou que incluirá no relatório os que deixarem de ser ouvidos, de modo que o Ministério Públio e a Polícia Federal façam o pedido de investigação.