A engenharia industrial, que inclui engenharia, construção civil, fabricação, montagem e manutenção, é uma das profissões mais atingidas pela recessão econômica. Após um ciclo de forte valorização de 2010 a 2013, o setor agora contabiliza fechamento de vagas a uma velocidade impressionante: eram 446 mil empregados em 2013 e 183 mil em 2015, um encolhimento de 60%. Os dados são da Associação Brasileira de Engenharia Industrial (Abemi).


A área de atuação com maior déficit foi a da construção civil, com 193,8 mil empregos a menos – comparando a estimativa de 2015 com o ano de 2013. Para o presidente da entidade, Antônio Muller, não há expectativa de melhora em 2016.


“Antes tinham muitos projetos grandes em variados setores, com empresas investindo muito, o que gerou ampla falta de profissionais de engenharia. Agora, a oferta de engenheiros está muito maior que a demanda, e os salários estão caindo também. Para 2016, com as empresas sem crédito e o custo do trabalho e a tributação aumentando, a curva descendente do emprego não vai mudar de trajetória”, disse.


Exportação
 O estoque de profissionais qualificados e que não encontram emprego no mercado nacional está migrando para outros países, e a consequência desse movimento ainda vai ser sentida. Quando o Brasil esboçar um cenário de crescimento, novos profissionais deverão ser qualificados e treinados. “Estamos exportando inteligência, e o engenheiro que se colocou no mercado de fora, não volta mais. Quando a economia retornar teremos sérios problemas de recursos humanos”, observou Muller.


Petrobras
Maior empregadora do setor de engenharia no país, a estatal petrolífera congelou investimentos e cortou novos aportes, gerando efeito perverso no mercado de trabalho em toda a cadeia de petróleo e gás nacional. “No fundo, era a Petrobras que provocava a competição nesse mercado e houve uma parada muito brusca em seus projetos”, lamentou.


Para a coordenadora do Ibmec Carreiras, Fernanda Schroder, existem nichos dentro da engenharia que sobrevivem, e bem, no cenário atual. “A parte de mecatrônica, automação e ambiental, estão em alta, ligadas a setores da economia que permanecem aquecidos. Já uma das áreas mais impactadas é a de engenharia de minas, onde os investimentos estão parados”.